Activistas do Leste exigem compromissos da oposição para combater assimetrias regionais em Angola

Luena – A Rede dos Activistas da Região Leste de Angola dirigiu uma carta aberta aos partidos da oposição angolana exigindo esclarecimentos sobre a chamada “Ampla Frente de Salvação de Angola” e defendendo a adopção de um conjunto de medidas estruturais destinadas a reduzir as profundas assimetrias socioeconómicas que afectam as províncias do leste do país.
No documento, divulgado publicamente e citado pelo Club-K, os activistas afirmam falar em representação do Bloco de Resistência Leste e de vários movimentos cívicos que, segundo indicam, há mais de duas décadas denunciam a marginalização das províncias do leste, apesar do seu contributo histórico e económico para o país.
Os signatários consideram que a região, onde se localizam importantes reservas de diamantes, recursos florestais, hídricos e potencial agrícola, continua a ser tratada apenas como uma fonte de recursos naturais e eleitorais, sem benefícios equivalentes para as populações locais.
Pedido de esclarecimentos à oposição
Entre as principais reivindicações, os activistas pedem aos partidos da oposição que esclareçam de forma pública e detalhada a estrutura, composição e programa da denominada “Ampla Frente de Salvação de Angola”, incluindo quais forças políticas e organizações da sociedade civil já integram ou pretendem integrar a plataforma.
A carta questiona igualmente qual será o papel das organizações regionais do leste, das autoridades tradicionais e dos movimentos cívicos na eventual frente política, alertando para o risco de a região voltar a ser utilizada apenas como “base eleitoral” sem participação efectiva nas decisões políticas.
Reivindicações para o desenvolvimento da região
No documento, os activistas apresentam também uma agenda prioritária de oito pontos, que defendem dever ser assumida publicamente pelos partidos da oposição como condição para qualquer apoio político e mobilização social na região.
Entre as principais propostas constam: • criação de mecanismos de fiscalização independente das obras públicas no leste; • programas de protecção social e reinserção para crianças de rua; • construção de infra-estruturas de saúde, incluindo um hospital pediátrico e um hospital psiquiátrico regionais; • investimento em infra-estruturas desportivas e educativas; • criação de uma taxa regional de desenvolvimento financiada por receitas provenientes da exploração de diamantes e madeira; • implementação de autarquias locais com maior autonomia administrativa e financeira; • reabilitação de estradas estratégicas que liguem o Bié, Moxico e Cuando Cubango; • valorização da cultura e da história dos povos da região, incluindo o reconhecimento de figuras históricas como Lueji wa Nkonde, associada ao antigo Império Lunda.
Denúncia de pobreza apesar da riqueza mineral
A carta sublinha que as províncias do leste — como Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Cuando Cubango — concentram grande parte da produção diamantífera de Angola, mas apresentam elevados níveis de pobreza, falta de infra-estruturas e acesso limitado a serviços básicos como água potável, energia e cuidados de saúde.
Os activistas citam dados de estudos de pobreza multidimensional para sustentar que uma parte significativa da população da região vive em condições precárias, apesar das receitas geradas pela exploração de recursos naturais.
Prazo para resposta
Os autores do documento afirmam que aguardam uma resposta formal dos partidos da oposição no prazo de 15 dias úteis, defendendo que qualquer cooperação política futura dependerá da inclusão das reivindicações do leste nos programas eleitorais e planos de governação.
“A região já não aceita ser apenas reserva de votos”, refere o documento, acrescentando que a população local exige maior participação nas decisões políticas e na gestão dos recursos extraídos do território.
A carta foi enviada a várias entidades, incluindo direcções nacionais de partidos da oposição, órgãos de comunicação social, representantes das autoridades tradicionais e organizações internacionais.



