Adolescentes da aldeia de Caíba-Iba, no município do Seles, província do Cuanza-Sul, percorrem cerca de 17 quilómetros até à sede municipal para continuar os estudos, devido à falta de escolas do I e II ciclos do ensino geral na localidade.
A situação tem preocupado os moradores, sobretudo pelo impacto que a longa distância pode ter na permanência dos adolescentes no sistema de ensino. Segundo o soba de Caíba-Iba, Januário Cigarro Chimbena, a dificuldade de acesso às escolas está entre os factores associados ao elevado número de casos de gravidez precoce registados na comunidade, embora não tenha apresentado números concretos.
De acordo com o responsável, os adolescentes que pretendem continuar a estudar depois das classes disponíveis na localidade são obrigados a deslocar-se diariamente até à sede municipal do Seles, numa distância de aproximadamente 17 quilómetros.
A ausência de escolas na própria aldeia representa, assim, um obstáculo para as famílias que pretendem manter os filhos no sistema de ensino, sobretudo para aqueles que não têm condições para suportar os custos de transporte ou de permanência junto da sede municipal.
A preocupação é particularmente sentida pelas famílias com adolescentes em idade escolar, numa comunidade onde o acesso à educação continua condicionado pela distância.
Caíba-Iba está localizada no município do Seles, no Cuanza-Sul, e é constituída por nove bairros. A localidade é ladeada por quatro regedorias: a norte, Mouma do Banze; a sul, Mouma do Fonseca; a sudoeste, Sinendele e Chiupa.
Para os moradores, a construção de escolas que assegurem o ensino até aos níveis necessários dentro da própria comunidade poderá reduzir a distância percorrida pelos estudantes e facilitar a permanência dos adolescentes na escola.
A situação de Caíba-Iba volta a colocar em evidência as dificuldades enfrentadas por comunidades rurais onde a distância entre as zonas de residência e as escolas continua a ser um dos obstáculos ao acesso regular à educação.



