A Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) alertou que Angola tem garantidos apenas entre 18% e 20% das 800 mil toneladas de fertilizantes necessárias para o ano agrícola 2026/2027, situação que poderá limitar o aumento da produção nacional.
O alerta foi feito pelo director da ADRA, Semeone Chiculo, à margem da abertura oficial do ano agrícola, realizada no sábado, 26 de Outubro, na comuna da Mongua, município do Cuanhama, província do Cunene.
Segundo o responsável, a escassez de insumos agrícolas constitui um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da actividade agrícola no país, numa altura em que o Executivo pretende reforçar a produção interna e reduzir a dependência das importações.
Semeone Chiculo apontou igualmente as dificuldades financeiras, materiais e humanas enfrentadas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e pelas Estações de Desenvolvimento Agrário (EDAs), instituições responsáveis pela assistência técnica aos agricultores familiares.
Para o director da ADRA, a insuficiência de recursos compromete o acompanhamento dos produtores, sobretudo nas comunidades rurais, onde a agricultura familiar desempenha um papel importante na produção de alimentos e na subsistência das famílias.
Outro constrangimento identificado é o défice de electrificação nas zonas rurais, que dificulta a instalação de infra-estruturas destinadas à conservação e transformação dos produtos agrícolas, comprometendo o aproveitamento da produção e o desenvolvimento da cadeia de valor.
No sector pecuário, Semeone Chiculo chamou ainda a atenção para a escassez de assistência veterinária, referindo que muitas comunidades dedicadas à criação de gado não dispõem sequer de farmácias veterinárias.
O ano agrícola 2026/2027 arrancou sob o lema do aumento da produção nacional, num contexto em que Angola procura reforçar a segurança alimentar e a capacidade de resposta às alterações climáticas, com particular atenção às províncias do sul, afectadas ciclicamente pela seca.




