Dois efectivos do Serviço Penitenciário estão entre os cinco cidadãos detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), no Uíge, por fortes indícios de envolvimento num caso de sequestro e homicídio qualificado com recurso a arma de fogo.
Os cinco suspeitos, todos cidadãos nacionais com idades compreendidas entre 21 e 26 anos, foram detidos pela Direcção Provincial do SIC-Uíge, em coordenação com a Polícia Nacional, no âmbito das acções de combate aos crimes violentos.
Segundo o SIC, os factos ocorreram no dia 2 de Setembro de 2026, quando os suspeitos terão atraído duas vítimas com a promessa de um negócio de compra e venda de ouro.
Os suspeitos deslocavam-se numa viatura KIA Sportage e, depois de as vítimas entrarem no veículo, terão anunciado o sequestro, exibindo uma arma de fogo do tipo pistola.
O grupo terá exigido 10 milhões de kwanzas para libertar os dois homens, identificados como Sungo Domingos, conhecido por “Boda”, de 40 anos, e Camara Hadimou, cidadão mauritano de 36 anos, conhecido por “Adão”.
Durante o período em cativeiro, os suspeitos terão subtraído 200 mil kwanzas à vítima angolana e utilizado a aplicação bancária Multicaixa Express do cidadão mauritano para efectuar transferências para diferentes contas, num valor aproximado de três milhões de kwanzas.
De acordo com o SIC, perante a impossibilidade de obter o valor total exigido, os suspeitos terão decidido matar as duas vítimas.
Sungo Domingos foi morto com disparos de arma de fogo na Estrada Nacional 140, enquanto Camara Hadimou terá sido executado nas proximidades do cemitério da aldeia de Kilomosso.
As investigações realizadas pelo SIC permitiram localizar e deter os cinco presumíveis autores, bem como apreender a viatura KIA Sportage alegadamente utilizada na prática do crime.
Entre os detidos encontram-se dois efectivos do Ministério do Interior afectos ao Serviço Penitenciário. O envolvimento dos agentes está igualmente a ser investigado internamente pela instituição a que pertencem, segundo o SIC.
Os suspeitos foram apresentados ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes, enquanto prosseguem as diligências para localizar e deter outros cidadãos que possam estar envolvidos no caso.
O SIC não esclarece, nesta fase, o grau de participação individual de cada um dos detidos, pelo que a responsabilidade criminal deverá ser determinada pelas autoridades competentes no decurso do processo.



