As escolas em todo o país retomaram, segundas-feira, às aulas,após uma semana de paralisação, em consequência da greve declarada pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF).
A equipa de reportagem do Jornal de Angola constatou, nas ruas, a presença de estudantes e professores nas instituições de ensino, desde as primeiras horas do dia.
No Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), por exemplo, verificou-se que, no interior das salas, os alunos assistiam às aulas sem qualquer constrangimento.
O subdirector pedagógico do IMEL, Arlindo Assunção, afirmou que a instituição retomou as aulas num ritmo normal, destacando a presença de 100 por cento dos docentes e dos alunos. “O número de estudantes e professores que apareceu hoje é satisfatório”, frisou.
Para Arlindo Assunção, a paralisação das aulas afectou na adaptação dos estudantes a rotina de aulas. Quanto ao programa curricular, explicou, a planificação é feita de 15 em 15 dias, sendo que as matérias previstas para a semana da paralisação serão readaptadas.
Já o professor de Matemática no IMEL, Carlos Ngola, considerou a participação dos estudantes positiva, uma semana depois da paralisação. “Estávamos todos ansiosos para o regresso às aulas, tanto os professores como os estudantes”.
Carlos Ngola deu os dois primeiros tempos no curso de Comércio e revelou que a turma estava cheia. “A pausa prejudicou o nosso programa de aulas, por isso, os professores regressaram em massa a fim de recuperar o tempo perdido”.
No presente ano lectivo, o IMEL matriculou, provisoriamente, um total de 1.050 estudantes, em dez cursos.
Estudantes satisfeitos
Por outro lado, os estudantes manifestaram preocupação com a recuperação dos conteúdos que deixaram de ser leccionados durante a paralisação.A estudante do IMEL, no curso de Administração Pública, Flávia Malanga, de 16 anos, manifestou contentamento e satisfação pelo regresso às aulas.
“Para recuperar o tempo perdido, os professores orientaram-nos a fazer pesquisas, além de adaptar as matérias”, disse.
Já Leandro Cassua, de 16 anos, estudante da 11.ª classe, no curso de Contabilidade, as aulas retomaram na normalidade, pese embora a paralisação tenha prejudicado o aproveitamento dos alunos.
Liceu Ngola Kiluanje
O cenário no Liceu Ngola Kiluanje, que actualmente alberga estudantes do Instituto Politécnico Industrial de Luanda (IPIL), Antigo Makarengo, foi, igualmente, de muita adesão, tanto de alunos quanto de docentes.
O director-geral da instituição, Milton Silva, afirmou que, no primeiro dia de regresso às aulas, estão a funcionar com cerca de 100 por cento de ambas as partes. “No turno da manhã temos 96 professores”, acentuou.
Milton Silva frisou que o corpo docente fará um reajuste no programa de aulas no sentido de compensar os dias perdidos. Para o presente ano, informou, IPIL matriculou 5.500 alunos no presente ano lectivo, distribuídos em 141 turmas.
Adesão no Cazenga
Eufrásio Bravo da Rosa, subdirector pedagógico do Complexo Escolar nº 3.004, no município do Cazenga, manifestou-se satisfeito com a adesão de alunos e professores no primeiro dia após a paralisação.
Questionado sobre as consequências da paralisação no programa curricular, Eufrásio Bravo da Rosa esclareceu que apesar dos constrangimentos causados, o programa será readaptado a fim de não prejudicar os alunos.
Para o ano lectivo 2026/2027 foram matriculados no Complexo Escolar nº 3.004 mais de 2.300 alunos, da iniciação até à nona classe, “Tragam os filhos às aulas para não perderem nenhuma matéria”, recomendou.
Bengo
Na província do Bengo, o regresso às aulas foi marcado pela presença significativa de alunos e docentes, em várias escolas da circunscrição, em particular as do município do Dande.
Logo nas primeiras horas de ontem, alunos, acompanhados pelos encarregados de educação, começaram a chegar à instituição, dando um novo movimento ao recinto escolar.
A título de exemplo, o Complexo Escolar n.º 1012 Missionária de Santana, tudo voltou à normalidade, os professores marcaram presença, retomando as actividadeslectivas e o contacto com os alunos.
A professora Olinda Kiela foi uma das docentes que regressou às salas de aula. Para ela, o retorno representa o cumprimento da missão de ensinar e contribuir para a formação das novas gerações.
Icolo Bengo
O regresso às aulas na província do Icolo e Bengo registou presença massiva de docentes e alunos, em grande parte dos estabelecimentos de ensino, depois da suspensão da greve dos professores.
Numa ronda feita nas escolas dos municípios de Catete, Sequele, Calumbo, Cabiri e Bom Jesus, foi notória a presença de 85 por cento dos alunos e professores numa cifra de 85 por cento.
Nos estabelecimentos público-privados, sob gestão da Igreja Católica, no Sequele, as obras de reabilitação em curso continuam a condicionar as escolas.
Engrácia Francisco, Marisa Quienda, Alfredo Ferreira | Caxito e Helma Reis | Icolo e Bengo




