ANASO diz que mulheres representam 70% das pessoas que vivem com VIH em Angola

As mulheres representam cerca de 70% das pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) em Angola, revelou o presidente da (ANASO), António Coelho, em declarações à Rádio Correio da Kianda.
Segundo o responsável, estima-se que cerca de 370 mil pessoas vivam actualmente com o vírus no país, das quais aproximadamente 10% são crianças. A prevalência nacional entre adultos dos 15 aos 49 anos de idade situa-se em cerca de 2%.
António Coelho manifestou preocupação com a elevada incidência da doença entre as mulheres e alertou para a necessidade de reforçar as acções de prevenção, sobretudo junto das jovens, que continuam a ser um dos grupos mais vulneráveis à infecção.
Dados apresentados pela ANASO indicam que, em 2024, Angola registou cerca de 21 mil novas infeções por VIH e 13 mil mortes relacionadas com a Sida. Do total das novas infeções, cerca de 30% ocorreram entre jovens dos 15 aos 24 anos de idade, sendo que 77% destes casos afetaram raparigas e mulheres jovens.
As províncias da Lunda Sul, com uma prevalência de 4,9%, da Lunda Norte, com 4,4%, e do Cunene, com 3,3%, lideram a lista das regiões mais afetadas pelo VIH em Angola.
O presidente da ANASO atribui esta realidade, entre outros fatores, ao intenso contacto transfronteiriço com países vizinhos que apresentam taxas de prevalência mais elevadas, bem como às desigualdades sociais e à procura por sexo comercial, frequentemente associadas ao baixo uso do preservativo.
No que diz respeito ao tratamento, António Coelho afirmou que cerca de 71% das pessoas que vivem com VIH conhecem o seu estado serológico, mas apenas 48% estão atualmente em tratamento antirretroviral.
O responsável alertou ainda para a persistência de comportamentos de risco e para casos de contaminação dolosa, situação que, segundo disse, compromete os esforços de prevenção e contribui para o aumento das novas infeções.
Entretanto, jovens ouvidos pela Rádio Correio da Kianda defenderam o reforço da educação sexual e da sensibilização sobre os perigos do VIH. Os entrevistados afirmaram recorrer a medidas preventivas, como o uso do preservativo e a realização regular de testes, considerando que a informação continua a ser uma das principais armas no combate à propagação do vírus.


