Angola reafirmou, em Nova Iorque, o compromisso com o multilateralismo, a solidariedade e o reforço da cooperação internacional para prevenir, preparar e responder de forma mais eficaz a pandemias e outras emergências de saúde pública.
A posição foi apresentada pela directora do Instituto de Investigação de Saúde, Joana Morais, durante a sua intervenção no Painel 1 do evento paralelo à 2.ª Reunião de Alto Nível sobre Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias (PPRP), realizado à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
Subordinado ao tema “O Mundo Unido: Acção Multilateral para Prevenir, Preparar e Responder a Pandemias e Emergências de Saúde Pública, por meio dos princípios de Equidade e Solidariedade”, o painel reuniu representantes de diferentes países e instituições para a partilha de experiências e identificação de mecanismos de cooperação capazes de fortalecer a arquitectura global de saúde pública.
Na ocasião, Joana Morais apresentou a experiência de Angola na resposta à Mpox, destacando a importância de uma actuação coordenada entre os países, sobretudo nas zonas fronteiriças, devido à circulação de pessoas e outros factores que podem aumentar o risco de propagação de doenças infecciosas.
De acordo com os dados apresentados, até 5 de Setembro de 2026, as províncias de Cabinda e Moxico-Leste, ambas fronteiriças com a República Democrática do Congo, concentravam mais de 90% dos casos confirmados de Mpox registados no país.
A realidade epidemiológica, segundo a responsável, reforça a necessidade de fortalecer os mecanismos permanentes de vigilância epidemiológica, alerta precoce, partilha de informação e cooperação transfronteiriça, sobretudo entre países que enfrentam riscos sanitários comuns.
Experiência de Angola na resposta à Mpox
A resposta nacional à Mpox está estruturada através do Plano Nacional Multissectorial de Resposta e Controlo da Mpox, baseado na abordagem “Uma Só Saúde” e articulado com as orientações da Organização Mundial da Saúde e os instrumentos continentais de resposta às emergências de saúde pública.
No plano nacional, Angola activou a Comissão Nacional e as Comissões Provinciais de Resposta às Emergências de Saúde, enquanto o Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública assegura a coordenação e a articulação regular com as estruturas provinciais e municipais.
Ao partilhar a experiência angolana, a directora do Instituto de Investigação de Saúde apontou três dimensões consideradas essenciais para uma resposta colectiva mais eficaz às futuras pandemias.
A primeira está relacionada com a necessidade de estabelecer responsabilidades claras e canais regulares de comunicação entre os diferentes níveis e actores envolvidos na resposta.
A segunda prende-se com a partilha e utilização atempada da informação, incluindo o reforço dos mecanismos de alerta entre países vizinhos, a articulação dos planos de contingência e a realização de exercícios conjuntos, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional.
A terceira dimensão coloca as comunidades no centro da resposta, reconhecendo o seu papel na prevenção, na vigilância comunitária e na procura atempada dos serviços de saúde. Neste domínio, a experiência de Angola na resposta à cólera também foi destacada.
A participação angolana no painel permitiu apresentar experiências nacionais e reforçar a mensagem de que a preparação para futuras emergências sanitárias exige cooperação, comunicação atempada, coordenação entre países, partilha de conhecimento e solidariedade internacional.
A presença de Angola no fórum reafirmou, igualmente, o compromisso do Ministério da Saúde em contribuir para o fortalecimento da cooperação global em saúde, através da partilha de experiências nacionais e da promoção de soluções assentes nos princípios de prevenção, equidade, solidariedade e responsabilidade colectiva.




