Angola é classificada como uma autocracia eleitoral noDemocracy Report 2026**, publicado em Março pelo Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia. A classificação consta da tabelaRegimes of the World, que avalia os regimes políticos dos países com base em dados referentes a 2025.**
Intitulado Unraveling the Democratic Era?, o relatório aponta para um recuo da democracia à escala mundial. Segundo o documento, no final de 2025 existiam 92 autocracias e 87 democracias, reflectindo uma inversão da tendência de expansão democrática observada em décadas anteriores.
De acordo com os dados do V-Dem, cerca de 74% da população mundial, equivalente a aproximadamente seis mil milhões de pessoas, vivia em países classificados como autocracias. Apenas 7% da população, cerca de 600 milhões de pessoas, residia em democracias liberais.
No caso de Angola, a classificação indica que, apesar da realização de eleições multipartidárias, as condições de competição política e as garantias institucionais não satisfazem os critérios definidos pelo instituto para uma democracia eleitoral.
A categoria de autocracia eleitoral não significa que não existam eleições ou partidos da oposição. Representa, antes, uma avaliação das condições em que o poder político é disputado e exercido, tendo em conta factores como a liberdade e a regularidade das eleições, a concorrência entre partidos e candidatos, a liberdade de expressão, o funcionamento dos meios de comunicação social e a participação da sociedade civil.
A classificação constitui uma avaliação académica baseada nos indicadores e critérios do projecto V-Dem, não correspondendo, por si só, a uma designação jurídica oficial do Estado angolano.
Diferenças entre os países da África Austral
Na comparação regional, o V-Dem identifica diferentes categorias de regimes políticos entre os membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
As Seicheles são classificadas como uma democracia liberal, enquanto Maurícias, África do Sul, Botsuana, Namíbia, Lesoto e Malawi integram a categoria das democracias eleitorais.
Angola surge entre as autocracias eleitorais, juntamente com Moçambique, Zimbabwe, Tanzânia, Madagáscar, Comores e República Democrática do Congo. A Zâmbia é classificada numa subcategoria identificada como autocracia eleitoral EA+, enquanto a Eswatini figura como autocracia fechada.
O instituto ressalva que os países incluídos na mesma categoria não apresentam necessariamente condições políticas idênticas. A classificação considera, entre outros aspectos, a competitividade eleitoral, as liberdades fundamentais, a participação dos cidadãos e os mecanismos de fiscalização do poder executivo.
O relatório identifica 44 países que atravessavam processos de autocratização em 2025, abrangendo cerca de 41% da população mundial. Em sentido contrário, 18 países encontravam-se em processos de democratização.
Entre as tendências associadas à autocratização, o documento destaca as restrições à liberdade dos meios de comunicação social e a repressão da sociedade civil. A análise assinala igualmente a deterioração de componentes democráticas em países com instituições historicamente consolidadas.
Os Estados Unidos da América também são destacados no relatório. Segundo o V-Dem, o país perdeu a classificação de democracia liberal pela primeira vez em mais de 50 anos, passando a integrar a categoria das democracias eleitorais. O documento relaciona esta alteração com a deterioração de indicadores institucionais durante 2025.
Estudo abrange mais de 200 países e territórios
A edição de 2026 é a décima do Democracy Report e foi elaborada com base na base de dados do V-Dem, que reúne informações sobre instituições políticas e diferentes dimensões da democracia.
O estudo abrange 202 países e territórios e analisa aspectos como os processos eleitorais, as liberdades civis, o controlo do poder executivo e o Estado de Direito, procurando acompanhar a evolução dos regimes políticos em todo o mundo.




