Sem contentores e sem camiões de recolha, o lixo está a tomar conta de vários bairros das províncias de Luanda e do Ícolo e Bengo. Faltam soluções. Moradores optam pela queima ou pelo enterramento dos resíduos.
Em várias cidades e vilas de Angola, o lixo acumulado nas ruas faz parte da paisagem. A recolha porta a porta praticamente não existe. Em muitos casos, as pessoas têm de andar quilómetros para encontrar um contentor onde depositar os resíduos.
No Kikuxi, município de Viana, a moradora Leila Futila mostra-se agastada com a situação:
"Nós aqui no município vivemos, acordamos e dormimos com lixo. O nosso amigo fiel é mesmo o lixo. Não há contentores e nunca vimos um camião de lixo passar regularmente. Só vejo camiões de lixo lá na cidade, na marginal [de Luanda]."
Lixo por todo o lado
Sem recolha regular, casas inacabadas e terrenos abandonados viram lixeiras. No Calumbo, em Ícolo e Bengo, um morador relata:
"A única forma que temos aqui é acumular o lixo na rua. Acha normal um bairro com milhares de habitantes ter apenas um contentor? As obras abandonadas são onde acabamos por depositar o lixo."
Sem recolha
No Cazenga, onde fica a sede da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL), a situação também é crítica, descreve o taxista Barroso Monteiro:
"Até agora não se está a fazer a recolha do lixo. Há muito lixo acumulado. Se formos junto da Escola Angola e Cuba, está cheio de lixo."
Nova taxa
As reclamações aumentam, depois de o Governo ter aprovado a nova Taxa dos Serviços de Limpeza e Saneamento. A taxa será cobrada através da fatura de eletricidade e corresponderá a 10% do consumo mensal, até um máximo de cerca de 1.300 kwanzas (o equivalente a 1,30 euros).
Segundo o Executivo, a taxa financiará a limpeza pública, recolha, transporte, tratamento e deposição de resíduos. De acordo com o Novo Jornal, 75% das receitas serão canalizadas para as administrações municipais. Os outros 25% serão divididos entre o Tesouro Nacional, Ministério do Ambiente e a empresa de energia.
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Serviço não chega
Mas para quem vive na periferia, é pagar por um serviço que não chega. "Esta cobrança representa apenas mais uma forma de penalizar os mais pobres”, critica Joaquim Lutambi, morador da Centralidade Vila Pacífica. "Quem paga a crise não são aqueles que a provocaram, mas sim os cidadãos, que continuam a ser sacrificados por um Governo incompetente, insensível e incapaz de responder aos problemas da população," acrescenta.
Leila Futila também contesta a nova taxa. "É mais um peso no orçamento da casa. Não há efetividade na recolha do lixo. Pagamos água, pagamos luz, mas continuamos esquecidos", afirma. "Já não temos o que comer e ainda vamos tirar mais dinheiro para pagar o lixo", lamenta.
"Trabalho paliativo"
Para Joaquim Lutambi, a resposta passa por uma gestão mais eficiente dos resíduos sólidos e pela contratação de empresas com capacidade para assegurar a recolha e tratamento do lixo.
"Atualmente não existem empresas com essa capacidade. O que há são estruturas que fazem apenas um trabalho paliativo," conclui.
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