A produção nacional de resíduos sólidos em Angola atingiu a marca anual de mais de 8,3 milhões de toneladas. Estes dados foram apresentados terça-feira, em Luanda, durante a apresentação do Relatório Nacional Anual sobre Gestão de Resíduos 2025.
Segundo o estudo feito pela Agência Nacional de Resíduos (ANR), órgão afecto ao Ministério do Ambiente, estes dados revelaram discrepâncias significativas entre a produção e a capacidade efectiva de recolha e tratamento no país.
De acordo com o relatório apresentado, dos mais de 8,3 milhões de toneladas produzidos anualmente, a taxa de recolha nacional fixa-se em apenas cerca de 2,1 milhões de toneladas.
O consultor da ANR Rui Silva, que fez a apresentação do relatório, disse que o cenário deixa um défice superior a 6,2 milhões de toneladas de resíduos não recolhidos por ano, que acabam depositados em lixeiras a céu aberto ou na via pública.
De acordo com o especialista Rui Silva, a província de Luanda lidera a produção nacional de resíduos devido à elevada densidade populacional e taxa de urbanização, concentrando também a maior taxa de recolha do país, estimada em cerca de 80 por cento.
Noutras regiões, explicou, a situação apresenta desafios maiores. Por exemplo, prosseguiu, nas áreas urbanas e periféricas, nomeadamente nas províncias de Benguela, Huíla e Namibe, registam-se eficiências de recolha intermédias, enquanto outras apresentam deficiências de recolha reduzidas, variando entre os 35 e os 50 por cento.
No que toca às infra-estruturas de deposição, frisou, o relatório indica que apenas cinco cidades no país dispõem de aterros sanitários ou unidades controladas em funcionamento.




