O reforço da cooperação entre o sector espacial e as universidades é uma das prioridades do Executivo para consolidar o Programa Espacial Nacional.
A afirmação foi feita, ontem, em Luanda, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, durante o encerramento da Semana Mundial do Espaço 2026..
Mário Oliveira destacou que, entre Maio e Junho, o ministério promoveu acções de capacitação e certificação para gestores e utilizadores de tecnologia espacial. O programa formou 148 técnicos provenientes de todas as províncias do país, reforçando a cobertura nacional.
Ainda no quadro de formação do Programa Espacial Nacional, destacou, foram estabelecidas 20 novas parcerias e acordos de cooperação nacionais e internacionais, com destaque para os acordos assinados com as Agências Espaciais da Nigéria e dos Emirados Árabes Unidos, bem como com algumas empresas nacionais.
Segundo o ministro, estas parcerias ampliam a rede de colaboração e permitem que Angola esteja cada vez mais integrada nas principais iniciativas e redes internacionais do sector Espacial.
“Não existe soberania tecnológica sem pessoas preparadas para criar, operar e desenvolver a tecnologia. Por isso, temos investido nas duas frentes: em infra-estruturas e na formação de recursos humanos. Hoje, o país dispõe de um número crescente de jovens com competências em áreas como observação da Terra, telecomunicações por satélite, ciência de dados, aplicações espaciais e engenharia de sistemas”, destacou.
O governante referiu que, ao longo dos últimos 12 meses, o Programa Espacial Nacional permitiu reforçar a capacidade do país na formação em comunicação via satélite e observação da Terra. Adicionalmente, o projecto impulsionou a investigação científica, a inovação e a aplicação prática das tecnologias aeroespaciais.
Expansão
No domínio da conectividade, Mário Oliveira informou que, desde o lançamento do Conecta Angola, a 22 de Dezembro de 2025, o programa já abrangeu 42 comunidades, a maioria situada em zonas com forte limitação de acesso às redes tradicionais.
A iniciativa mapeou 71 startups, das quais 40 foram consideradas elegíveis, beneficiando directamente 409.577 pessoas — entre estudantes, professores e residentes — em todas as 21 províncias do país.Além destes números, adiantou o ministro, foram entregues 19 kits tecnológicos a startups seleccionadas.
A medida visa permitir que as empresas nacionais passem a desempenhar um papel activo na expansão da internet, gerando empregos e oportunidades para a juventude. “Queremos que os jovens sejam parceiros do Estado e agentes da transformação digital, encontrando no sector espacial uma nova área para desenvolver negócios e soluções locais”, afirmou.
Ambiente
No domínio ambiental, o ministro informou que as aplicações de observação da Terra estão a ser utilizadas na identificação e monitorização de derrames de petróleo, entre outros fenómenos.
Mário Oliveira adiantou que o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social estabeleceu uma parceria com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) para monitorizar as bacias localizadas no interior de Angola, com recurso às tecnologias do Programa Espacial Nacional.
O ministro informou que, durante as celebrações da Semana Mundial do Espaço 2026, foram realizadas 79 actividades em 17 províncias do país, mobilizando escolas, universidades, empresas e instituições públicas. A maioria das acções ocorreu de forma descentralizada, alcançando 24.420 pessoas presencialmente e 476.219 através das plataformas digitais.
Com o objectivo de aproximar a juventude da ciência, da inovação e do sector aeroespacial, o Ministério promoveu o Concurso Nacional de Foguetes, iniciativa que contou com o apoio estratégico da Direcção Nacional de Telecomunicações das Forças Armadas Angolanas (FAA).
A iniciativa, explicou, mobilizou 537 participantes provenientes de 17 províncias, entre os quais foram selecccionados três como vencedores, oriundos das províncias de Malanje, Bié e Cubango.
“Hoje, jovens de diferentes províncias estão a construir, testar e lançar os seus próprios foguetes de água e ar. É assim que se começa a construir uma geração preparada para participar na próxima etapa da revolução tecnológica”, afirmou.
O governante reconheceu que, apesar dos avanços registados, o caminho a percorrer ainda é longo. Segundo o responsável, o sector necessita de um reforço na formação de quadros, da criação de empresas capazes de conectar mais comunidades e de uma maior participação do sector privado.
GGPEN assina memorando de cooperação
O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) assinou, ontem, durante o acto de encerramento da Semana Mundial do Espaço, um memorando de cooperação com as universidades Agostinho Neto e de Luanda, com o objectivo de aproximar a academia do sector Espacial.
Durante o acto, o director-geral do GGPEN, Zolana João, frisou que o memorando visa, igualmente, promover a investigação científica, a formação de quadros e o desenvolvimento de soluções tecnológicas nacionais.
O reforço da cooperação entre o GGPEN e as universidades Agostinho Neto e de Luanda, salientou, marca uma nova etapa na aproximação entre a academia e o sector Espacial, com aposta na formação de quadros, investigação científica e inovação tecnológica, no quadro dos esforços para consolidar a economia espacial angolana.
Para reforçar essa aposta, contou, o GGPN assinou, ainda, uma parceria com a Agência Espacial Portuguesa, com um financiamento de 50 milhões de euros, de modo a apoiar as academias e startups angolanas que queiram desenvolver produtos ligados ao sector Espacial.




