Angola está a reforçar a capacidade nacional de resposta às doenças oncológicas com a construção de um novo Centro Oncológico, integrado na 3.ª fase do Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, em Luanda, cuja execução física atingiu 36%.
Com uma área de 26.413 metros quadrados, a futura unidade terá quatro pisos, 148 camas e 353 lugares de estacionamento, segundo uma nota do Ministério da Saúde.
O projecto prevê a concentração de serviços especializados para o diagnóstico, tratamento, internamento e acompanhamento de doentes oncológicos.
A nova infra-estrutura integra a estratégia do Executivo de expansão e modernização da rede sanitária nacional, com aposta no reforço da capacidade de diagnóstico e tratamento, na introdução de tecnologias diferenciadas e na formação de profissionais de saúde.
A necessidade de ampliar a resposta oncológica resulta do aumento da procura e da crescente complexidade dos tratamentos, que exigem a articulação entre diagnóstico, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, medicina nuclear, hematologia, cuidados intensivos e acompanhamento multidisciplinar.
Actualmente, o Instituto Angolano de Controlo do Câncer (IACC) dispõe de 70 camas de internamento, incluindo 10 leitos para observação do Banco de Urgência, e realiza, em média, 360 atendimentos por dia. A unidade assegura consultas externas, urgência, quimioterapia, radioterapia, cirurgia e diversas consultas de especialidade.
A expansão da rede permitiu igualmente reforçar a assistência especializada no Hospital Geral de Cacuaco “Heróis de Kifangondo”, que dispõe de uma valência de Oncologia Pediátrica com 34 camas. No período de referência, o serviço de Radioterapia realizou 1.908 consultas, 86 tomografias de planeamento e 1.736 fracções de radioterapia.
Outro avanço ocorreu com a inauguração, em Setembro de 2025, do Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, que passou a disponibilizar serviços de Oncologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, apoiados por tecnologias como ressonância magnética de 3 Tesla, tomografia computadorizada e aceleradores lineares.
Entre Janeiro e Junho de 2026, os serviços de Oncologia do “Pedalé” acompanharam 360 pacientes, dos quais 72 eram novos casos. No mesmo período, foram realizadas 701 consultas médicas, 14 cirurgias oncológicas, 503 sessões de quimioterapia e nove tratamentos de terapia-alvo ou imunoterapia.
O novo Centro Oncológico foi concebido para ampliar esta capacidade e concentrar, numa mesma unidade, diferentes etapas do percurso assistencial do doente, desde a emergência e consulta até ao diagnóstico, tratamento, cirurgia, internamento e acompanhamento especializado.
Entre as valências previstas estão os serviços de Emergências, Consultas Externas e Clínicas de Ambulatório, Imagiologia e Diagnóstico, Radioterapia, Medicina Nuclear, Infusão Quimioterápica, Hematologia, Cuidados Intensivos, Internamento de Doentes Agudos, Departamento Cirúrgico, Laboratório Clínico, Farmácia Hospitalar, Esterilização e Terapia Respiratória.
O projecto inclui ainda um edifício para o Ciclotrão, equipamento associado a aplicações avançadas da Medicina Nuclear, 26 apartamentos T1 para médicos, 28 quartos para estudantes, extensão da Central de Oxigénio e outras estruturas de apoio.
A distribuição dos serviços pelos quatro pisos prevê, no rés-do-chão, as áreas de Emergências, Clínicas de Ambulatório, Imagiologia e Diagnóstico e Radioterapia. O primeiro piso acolherá a Unidade de Cuidados Intensivos, Infusão Quimioterápica, Departamento Cirúrgico, Medicina Nuclear e Esterilização.
No segundo piso funcionarão, entre outros, a Hematologia, a Unidade de Tratamento de Casos Agudos, o Laboratório Clínico e a Farmácia Principal, enquanto o terceiro piso contará com áreas de internamento e tratamento de casos agudos, além da Administração do Hospital.
Com a nova unidade, Angola pretende aumentar a capacidade instalada e melhorar o acesso dos cidadãos a cuidados oncológicos especializados, reforçando progressivamente a resposta nacional às doenças do cancro.




