Angola continua sem dispor de um estudo genético sobre os casos de retinoblastoma, um tumor maligno raro que se desenvolve na retina e afecta sobretudo crianças.
A informação foi avançada pela directora-geral do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola (IONA), Luísa Paiva, que apontou uma maior ocorrência da doença nas regiões Centro e Sul do país.
Segundo a responsável, citado pela RNA, algumas áreas do território nacional, com destaque para a província da Huíla, Bié, apresentam uma presença significativa de casos da doença.
A ausência de estudos genéticos, sublinhou, limita o conhecimento sobre os factores associados à sua ocorrência no país.
Apesar dos desafios, o IONA registou avanços na capacidade de diagnóstico e acompanhamento dos pacientes, com a introdução de equipamentos tecnológicos modernos, disponíveis desde o início do ano.
Entre os novos meios, Luísa Paiva destacou o Pentacan, um equipamento utilizado na avaliação da estrutura e da curvatura da córnea, bem como o RetCan, tecnologia que permite obter imagens do fundo do olho e apoiar o diagnóstico e o acompanhamento de doenças da retina, incluindo o retinoblastoma.
De acordo com a directora-geral, a utilização destes equipamentos representa um avanço na prestação de cuidados oftalmológicos e permite recorrer a técnicas que anteriormente não estavam disponíveis na instituição.
Entretanto, a responsável manifestou preocupação com o número reduzido de especialistas em oftalmologia no IONA, situação que considera um dos principais desafios para o funcionamento dos serviços.
Actualmente, o instituto conta com sete oftalmologistas, distribuídos pelas áreas de catarata, córnea, glaucoma e retina.
O quadro inclui dois especialistas em catarata, um em córnea, dois em glaucoma e dois em retina.
Luísa Paiva explicou que a saída de alguns profissionais, após o término das respectivas missões, tem contribuído para a redução do número de especialistas disponíveis, deixando a instituição com menos recursos humanos do que os desejáveis.
A responsável defendeu, a necessidade de reforçar a capacidade técnica e humana do instituto, de modo a melhorar a resposta às necessidades da população no domínio da saúde ocular.




