
Gasóleo subiu 20 kwanzas em Angola, mas os taxistas optam por não repassar o custo ao cliente, por enquanto. A-MBAIA prefere esperar e pede ao executivo maior transparência sobre o Decreto 402.
Em Angola, o litro do gasóleo aumentou 20 kwanzas - passando de 400 kwanzas (0,37 euros) para 420 kwanzas (0,39 euros). A notícia foi avançada este fim de semana pelo Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo, que afirma que mantêm-se inalterados os preços da gasolina, petróleo iluminante e gás.
Sobre esta subida conversámos com Alexandre Barros - secretário-geral da Associação dos Motoristas Benquistos Associados Independentes de Angola (A-MBAIA). Barros diz que a reação dos taxistas "não é das melhores" nem "conformista". Contudo sublinha que estão "serenos" com esta subida do preço do gasóleo e garante que, para já, a tarifa da corrida de táxi deverá manter-se.
O Governo angolano efetua uma política contínua da retirada gradual de subsídio aos combustíveis, devido ao elevado consumo de verbas do orçamento de Estado, defendendo que estes montantes poderiam ser canalizados para projetos sociais e de infraestruturas.
Em abril deste ano, o executivo angolano anunciou que as receitas do país devem crescer 3,2 biliões de kwanzas (2,9 mil milhões de euros) com o aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, contudo, parte deste montante será consumido com o subsídio aos combustíveis.
DW África: Face ao aumento sucessivo do preço dos combustíveis em Angola, qual é a posição da A-MBAIA e de que forma esta situação tem impactado a atividade dos taxistas?
Alexandre Barros (AB): Dado o custo económico e social que o país atravessa, e não só o próprio custo operacional que tem sido ou que tem vindo a encarecer cada dia que passa para a nossa atividade enquanto taxistas, os motivos são mesmo se não adequar os preços dos combustíveis aos outros países aqui da região. Mas ainda assim, a nossa reação não é, obviamente, de conformismo.
DW África: Quanto ao preço da corrida de táxi, a ANATA, por exemplo, promete para já manter o preço. Qual é a vossa posição?
AB: Estamos a apreciar. Participamos nas reuniões e fomos informados que o gasóleo poderia subir até ao final do ano duas vezes. Fomos esclarecidos os motivos da subida, deram-nos a oportunidade de rever o reajuste da tarifa do táxi. Preferimos não fazê-lo agora, visto que ainda há uma outra subida, quem sabe agora no final do ano. Se vai haver uma outra subida, nós preferimos manter a corrida, o preço da corrida do táxi ou da tarifa do táxi agora, até à próxima subida.
Outro sim, a tendência de manter o preço é olhar na condição de capacidade económica dos nossos clientes ou então do povo em aderir aos nossos serviços. A vida está precária. Os cidadãos estão desempregados, de um país que, por sinal, produz petróleo, que quer igualar o preço aos outros países da região sem motivo algum. Queremos acreditar que é uma agenda, obviamente e compromissos internacionais que o Governo angolano aderiu. Mas que estes compromissos internacionais têm estado, obviamente, a apoquentar, senão mesmo a agudizar, a cada dia que passa, a vida dos cidadãos.
DW África: Temem que, caso essa subida do preço da corrida venha a ser inevitável, possa haver uma revolta social como a que assistimos no ano passado?
AB: A gente não teme, obviamente, que venha a acontecer. É uma convulsão social igual às dos dias 28, 29 e 30 de julho de 2025. O que a gente obviamente teme é subir agora a corrida de táxi num valor que não se adequa com a próxima subida dos combustíveis.
Pensamos que o 20 kwanzas que subiu agora ainda é controlável, a nível dos custos operacionais ainda é controlável, e com algumas aspas. Então nós também pensamos em manter, ainda nos sacrificarmos assim, para posteriormente conhecermos a subida, ou o valor da subida, que o governo vai impor, e nós também encontrarmos o preço real da corrida de táxi.
Quantas convulsões sociais são praticamente situações que acontecem em todo o Estado democrático de direito. Mas nessa altura ainda estamos a controlar, esperando que haja, por parte do executivo, maior transparência e uma eficácia a nos informar o quanto poderá subir, e a revisão do Decreto 402.
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