A criação de empregos, a melhoria dos serviços públicos, o reforço das infra-estruturas e a redução das dificuldades sociais estão entre as principais expectativas em relação ao Discurso sobre o Estado da Nação, a ser proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, no dia 15 de Outubro, na Assembleia Nacional.
Especialistas e cidadãos defendem que o pronunciamento deve apresentar medidas concretas para responder aos desafios económicos e sociais do país, com particular atenção às necessidades das famílias, dos jovens e das populações mais vulneráveis.
Entre as prioridades apontadas estão o reforço do investimento social, a criação de oportunidades de emprego, a melhoria das estradas e do abastecimento de água e energia eléctrica, bem como o acesso à habitação e aos serviços públicos essenciais.
Icolo e Bengo defende prioridade aos desafios internos
O mestre em Ciências Políticas e Administração Pública Almeida Henriques considera que a mensagem do Presidente da República deve apresentar medidas concretas para reduzir o défice social e melhorar as condições de vida da população, numa perspectiva de médio e longo prazos.
O também director executivo do Centro de Estudos Estratégicos Militares da Escola Superior de Guerra do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (ESG/EMFAA) defende que as prioridades do Executivo devem responder às dificuldades imediatas das famílias, sem perder de vista o desenvolvimento dos sectores estruturantes da economia.
Num contexto marcado pela aproximação do último período da actual legislatura e pela preparação das Eleições Gerais de 2027, Almeida Henriques considera necessário reforçar as políticas de criação de emprego, o apoio à agricultura e a distribuição de energia eléctrica na região.
A segurança nacional constitui outra das áreas que, na perspectiva do especialista, deve continuar a merecer atenção do Estado. Almeida Henriques considera a protecção dos cidadãos e a estabilidade institucional condições essenciais para o desenvolvimento do país.
Com a aproximação das eleições, defende igualmente uma mensagem de apelo ao civismo, à participação dos cidadãos e à responsabilidade dos partidos políticos, bem como ao respeito pelas instituições e pelas leis.
“Todos os intervenientes no processo eleitoral devem respeitar a Constituição e as leis, evitando actos de violência e contribuindo para que o processo decorra de forma pacífica”, afirmou.
Por sua vez, o presidente da Associação dos Assistentes Sociais de Angola, Roque d’Oliveira, defende o aumento da dotação orçamental destinada ao sector social, de modo a reforçar a capacidade de resposta aos problemas que afectam as populações, sobretudo as mais vulneráveis.
Entre as prioridades que espera ver reflectidas no discurso presidencial, destaca a adopção de um pacto nacional para melhorar a gestão e a qualidade do abastecimento de água e do saneamento básico.
O responsável aponta igualmente a necessidade de implementar medidas concretas de prevenção da malária e da sinistralidade rodoviária, humanizar os serviços de saúde e melhorar a qualidade do ensino.
Para Roque d’Oliveira, o investimento social deve ser entendido como um factor de desenvolvimento, capaz de contribuir para o bem-estar das famílias e para a redução das desigualdades.
A Associação dos Assistentes Sociais de Angola espera, por isso, que o pronunciamento presidencial se traduza num compromisso com a resolução dos problemas sociais e na definição de políticas públicas orientadas para a melhoria das condições de vida da população.
Malanjinos esperam medidas para melhorar as condições de vida
Em Malanje, cidadãos de diferentes estratos sociais esperam que o Discurso sobre o Estado da Nação apresente respostas para os principais desafios sociais e económicos, com particular atenção ao custo de vida, aos salários, à habitação e à criação de oportunidades para a juventude.
O estudante Caterso Luís, de 12 anos, espera que o pronunciamento presidencial transmita uma mensagem de esperança, tendo em conta as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
“Espero que o Presidente da República traga esperança para a sociedade no geral, porque a vida não está nada fácil para ninguém”, afirmou.
O jovem considera importante a adopção de medidas destinadas a melhorar o acesso à cesta básica, as condições salariais e as oportunidades de habitação. Em relação à juventude, defende iniciativas capazes de responder às necessidades dos jovens, tanto a nível nacional como na província.
“Enquanto jovem, espero soluções e projectos que satisfaçam os anseios dos jovens a nível nacional”, salientou.
Por sua vez, o pároco Pedro Luiz defende uma governação mais atenta às necessidades das populações que vivem fora das capitais provinciais, com maior acesso aos serviços públicos essenciais.
O religioso considera prioritária a melhoria das condições de vida das comunidades, através do reforço do acesso à saúde, à educação de qualidade, à energia eléctrica e à água potável.
Na sua perspectiva, as dificuldades sociais exigem medidas capazes de assegurar condições básicas às populações e promover o bem-estar colectivo.
“Como cristãos, defendemos uma governação orientada por Deus, mas, como jovens, apelamos a uma transformação orientada para o reforço da unidade nacional e o bem-estar da população. Esperamos mudanças em prol da unidade nacional”, afirmou.
O jurista Jossilas Costa destacou a necessidade de ampliar o acesso a projectos habitacionais, tendo em conta o êxodo populacional registado na província. Para o entrevistado, as iniciativas anunciadas pelo Executivo devem responder às necessidades das famílias e contribuir para melhorar as condições de acesso à habitação.
No domínio económico, o jovem Nilton Joveta defende a continuidade dos investimentos na industrialização do país. Considera que o aumento da produção nacional pode contribuir para reduzir a dependência das importações e gerar novas oportunidades de emprego.
Na sua perspectiva, a aposta no sector industrial deve produzir benefícios concretos para a população, sobretudo para os jovens que procuram oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
As expectativas dos cidadãos de Malanje convergem, assim, na necessidade de medidas que melhorem as condições de vida das famílias, ampliem o acesso aos serviços públicos e criem novas perspectivas para a juventude.
População do Moxico espera melhorias nas infra-estruturas e no emprego
Na província do Moxico, a melhoria das estradas, a expansão das redes de água e electricidade e a criação de oportunidades de emprego para a juventude estão entre as principais expectativas dos cidadãos em relação ao pronunciamento presidencial.
Numa ronda realizada na cidade do Luena, os entrevistados defenderam a necessidade de investimentos capazes de melhorar as condições de vida das populações e dinamizar a actividade económica na região Leste do país.
A funcionária pública Emília da Conceição manifestou o desejo de ouvir o Chefe de Estado anunciar medidas para melhorar as vias de comunicação, sobretudo a estrada que liga a comuna do Muhango, na província do Bié, à cidade do Luena, no Moxico.
A cidadã considera igualmente importante reforçar as infra-estruturas e melhorar o abastecimento de água potável. Entre as preocupações que espera ver abordadas no pronunciamento, destacou também a falta de oportunidades de emprego para os jovens.
Por sua vez, o vendedor ambulante Daniel Caiombo defendeu a expansão da rede de distribuição de energia eléctrica a bairros da cidade do Luena, bem como a melhoria do abastecimento de água potável.
Já o balconista Horácio Manuel espera ouvir o Presidente da República apresentar medidas destinadas à juventude e à criação de mais oportunidades de emprego.
O cidadão considera igualmente importante investir na construção e reabilitação de estradas, com destaque para as ligações Moxico-Bié e Lutembo-Lumbala Nguimbo, por forma a facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e dinamizar o comércio na região.




