Associação Internacional de Pediatria (IPA) está a reforçar as suas acções em Angola para apoiar as autoridades de Saúde na cobertura vacinal e no combate às falsas informações sobre as vacinas.
A garantia foi dada ontem, em Luanda, pelo director-executivo daquela organização, que cumpre uma agenda de trabalho no país, para acompanhar os progressos e desafios do sector.
Em declarações ao Jornal de Angola, por ocasião do Seminário Nacional de Advogacia do Projecto dos “Campeões da Imunização” (IPA), Joseph Iladdad disse que Angola é um país prioritário para as acções da instituição na região, que tem como foco combater a existência de crianças “zero dose” (crianças que nunca receberam qualquer tipo de vacina) e travar a circulação do vírus da pólio derivado de vacina.
Joseph Iladdad considera Angola um país muito importante para a IPA, embora, “há um grande desafio em relação à cobertura vacinal, com muitas crianças que ainda não receberam qualquer dose, além da circulação da pólio.
“ Por isso, estamos a trabalhar para reforçar a imunização em todo o território nacional”, realçou.
Para responder a estes desafios, segundo o director-executivo da IPA, a organização tem promovido formações direccionadas a pediatras, líderes religiosos e influenciadores digitais.
“O objectivo é dotar os intervenientes sociais de ferramentas estratégicas de comunicação e uso das redes sociais para esclarecer a população, desfazer mitos e construir maior confiança da comunidade nos serviços de saúde”, explicou.
O responsável sublinhou que a instituição apoia, igualmente, a imunização de forma geral, respeitando o plano estratégico definido pelo Governo angolano. “Não estamos focados apenas uma vacina, mas sim em apoiar o plano global do Ministério da Saúde e cobrir as lacunas onde for necessário”, sublinhou.
Elogio às infra-estruturas hospitalares
Durante a sua permanência na capital angolana, o director-executivo da IPA visitou várias unidades sanitárias, incluindo hospitais municipais, o Instituto de Hematologia e o Hospital Pediátrico de Luanda. O representante internacional manifestou-se positivamente impressionado com o nível das instalações e o profissionalismo das equipas médicas.
“Fiquei muito impressionado com a qualidade das instalações, o equipamento disponível e a preparação dos profissionais. É uma estrutura muito bem montada, com equipas qualificadas a prestar um serviço de grande relevância à população”, concluiu Joseph Iladdad.
A Associação Internacional de Pediatria prevê dar continuidade às reuniões regionais no país para garantir que as comunidades locais continuem a ter acesso a informação fiável e a cuidados de saúde pediátricos de qualidade.
Maior envolvimento do sector privado
A coordenadora nacional do Programa Alargado de Vacinação (PAV), Alda de Sousa, disse que a necessidade de adoptar uma linguagem simples, clara e acessível no diálogo com as comunidades, aliada a um reforço do controlo nas unidades de saúde privadas.
Segundo Alda de Sousa, o dialogo com as comunidades constitui um dos principais desafios para expandir a cobertura do Programa Alargado de Imunização em todo o território nacional.
A comunicação, explicou, desempenha um papel determinante na adesão da população aos serviços públicos de saúde. “Precisamos de falar uma linguagem pedagógica e ao alcance das famílias para que a mensagem sobre a importância da imunização chegue com eficácia à a todas as comunidades”, destacou.
A coordenadora do PAV fez, igualmente, um apelo para que se evitem falhas na prestação destes serviços essenciais, alertando para a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso das unidades de saúde privadas.
Embora a prática de vacinação com a vacina rotavírus já se encontre em implementação, sublinhou, o manuseamento do fármaco que inclui a administração por bisnagas de doses múltiplas, tem gerado alguma complexidade operacional junto dos técnicos de saúde, uma questão que requer maior atenção por parte dos fabricantes.
A evolução demográfica e administrativa de Angola foi apontada como outro factor determinante na gestão do programa.
Com a nova Divisão Político-Administrativa, disse, o Programa Alargado de Imunização enfrenta o desafio de garantir a distribuição contínua de vacinas e a alocação de recursos humanos qualificados e financiamento adequado a uma população maioritariamente jovem (50 por cento mulheres e 49 por cento por homens).




