Aumento das propinas divide opiniões entre famílias, escolas e especialistas em Luanda

O aumento das propinas nos colégios privados em Luanda está a gerar preocupação entre famílias, enquanto instituições de ensino defendem a necessidade de reajustar os valores para garantir a sustentabilidade dos serviços prestados.
Entre encarregados de educação, o sentimento predominante é de preocupação com o impacto dos novos custos no orçamento familiar. Muitos pais admitem que a subida das mensalidades, associada às taxas de matrícula e outros encargos escolares, poderá obrigar a rever prioridades ou até optar pelo ensino público.
A encarregada de educação Sandra Barros afirma que manter o filho numa instituição privada poderá exigir cortes em outras despesas da família.
“Provavelmente, se eu manter o meu filho em instituição privada, vou ter que cortar alguma coisa no orçamento da família, ou então terei de colocá-lo numa escola pública”, declarou.
Já Marco Airoso, outro encarregado de educação, destaca que a preocupação vai além dos valores cobrados e envolve também a qualidade do ensino ministrado nos colégios.
“O que ministram nas escolas não é totalmente satisfatório, está a decair porque já foi melhor. Tem de haver uma reforma no ensino”, afirmou.
Do lado das instituições, a Associação Nacional do Ensino Particular (ANEP) considera que os reajustes são necessários para acompanhar as mudanças económicas e assegurar o funcionamento das escolas. O presidente da organização, António Pacavira, explicou, sem gravar entrevista, que os aumentos procuram manter o equilíbrio entre os custos operacionais e a sustentabilidade das instituições.
Para o economista Luís Victor, a subida das propinas deve ser analisada tendo em conta os custos de funcionamento dos estabelecimentos de ensino e a dinâmica do mercado, não estando necessariamente relacionada com o rendimento das famílias.
O especialista reconhece, contudo, que o aumento poderá agravar a pressão sobre os agregados familiares, sobretudo num contexto marcado pelo elevado custo de vida.
“Angola é um país quase que inteiramente pobre, o que torna a nossa economia não suficientemente robusta para responder e satisfazer as necessidades da população”, afirmou.
Luís Victor defende a criação de políticas públicas capazes de reduzir o impacto dos aumentos e garantir maior equilíbrio entre a sustentabilidade do ensino privado e a capacidade financeira das famílias.
O debate sobre as novas propinas coloca em confronto dois desafios: por um lado, a necessidade dos colégios assegurarem a continuidade dos serviços; por outro, a preocupação dos encarregados de educação em garantir o acesso à educação sem comprometer o orçamento familiar.


