Com o início das aulas marcado para amanhã, 1 de Setembro, as famílias intensificam a corrida à compra de material escolar. Nas lojas, papelarias e mercados, os preços variam de acordo com a classe do aluno, a qualidade dos produtos e o local de compra. Se alguns encarregados de educação consideram os valores acessíveis, outros apontam dificuldades na aquisição dos manuais.
Entre os produtos mais procurados estão os livros, cadernos, mochilas, batas, lápis, esferográficas e outros materiais exigidos pelas escolas. Os manuais escolares, no entanto, figuram entre os artigos que mais pesam no orçamento familiar.
Em Luanda, o Jornal de Angola percorreu alguns mercados para verificar como estão a decorrer as vendas de material escolar. No mercado do São Paulo, no município do Sambizanga, constatou que o kit de livros da iniciação à 6.ª classe custa entre 10 e 12 mil kwanzas, com todos os manuais. Já os livros da 7.ª à 9.ª classe chegam a custar 85 mil kwanzas, num total de dez livros.
Estes preços são praticados por dezenas de comerciantes que vendem manuais nas ruas do mercado do São Paulo. Nas lojas e papelarias, a realidade e o tipo de manual são diferentes. Cada livro custa acima de sete mil kwanzas, independentemente da classe.
No mercado do Asa Branca, no município do Cazenga, a área reservada à venda de livros escolares enfrenta escassez de manuais. Até sábado, a falta era mais acentuada nos livros destinados ao I ciclo do ensino secundário, da 7.ª à 9.ª classe.
A equipa de reportagem localizou apenas uma comerciante que tinha o kit completo da 7.ª classe. Os livros, já usados, eram comercializados por 54 mil kwanzas. “Da 7.ª em diante está mais difícil”, relatou a comerciante, que também lamentou a pouca disponibilidade de livros novos no mercado.
Para fazer face à escassez de manuais novos, a maioria dos comerciantes do Asa Branca apresentava aos clientes livros usados e outros editados antes da reforma educativa.
Preço e qualidade
Os encarregados de educação reconhecem que o preço dos materiais varia significativamente conforme a qualidade e a marca escolhida. Cadernos, mochilas e outros artigos escolares podem ser encontrados em diferentes faixas de preço, permitindo às famílias escolher os produtos de acordo com a sua capacidade financeira.
Para Rui Pequeno, que adquiriu livros para um aluno da 6.ª classe no mercado do Asa Branca, os preços encontrados são acessíveis se comparados a outros locais. “Conseguicomprar alguns livros a um preço acessível. Mil kwanzas cada”, disse, realçando que comprou seis manuais e gastou seis mil kwanzas, faltando apenas o de Língua Portuguesa.
Na procura pelo material escolar, há quem prefira as lojas e papelarias aos vendedores informais. Arnaldo Pedro considera que comprar nos estabelecimentos comerciais oferece maior segurança. “É mais seguro comprar dentro das lojas”, afirmou, argumentando que os preços praticados actualmente estão acessíveis.
“Embora esteja a vir comprar faltando poucos dias para o início das aulas, notei que os preços não alteraram muito”, acrescentou.
O preço das batas varia entre 1.500 e 3.000 kwanzas. As mochilas e outros acessórios apresentam preços diferentes, de acordo com a qualidade e o tamanho. “Temos mochilas para todos os bolsos, tanto as do fardo como as do armazém”, disse uma vendedora.
Os cadernos também são comercializados a preços diversos. A escolha depende do gosto e da capacidade financeira do cliente. “Temos todo tipo de caderno e com vários preços, só depende do cliente”, disse Luís Adão, funcionário de uma papelaria no São Paulo.
Quanto custa preparar uma criança?
Materiais mais procurados
Livro novos
Ensino Primário (1.ª a 6.ª)
10 a 12 mil kz o kit completo
I ciclo (7.ª a 9.ª)
75 a 85 mil kwanzas
o kit completo
Livros usados
54 mil kwanzas
Cadernos
Varia conforme qualidade (1.000 para cima)
Bata
1.500 a 3000
Mochila
Varia conforme qualidade
Mercados do São Paulo e Asa Branca
Luanda disponibiliza mais de 107 mil vagas para o novo ano lectivo
A província de Luanda tem disponíveis 107.268 vagas para o novo ano lectivo, que inicia oficialmente amanhã, 1 de Setembro, anunciou a directora do Gabinete Provincial da Educação.
Joana Neto explicou que as vagas abrangem diferentes níveis de ensino, com maior incidência na 7.ª classe, com 35.642 lugares, seguindo-se a 10.ª classe, com 22.662, a iniciação, com 18.237, a 1.ª classe, com 17.147, e o ensino médio técnico, com 13.620 vagas.
De acordo com a responsável, o número inicialmente apresentado era de apenas 3.620 vagas, tendo sido posteriormente actualizado à medida que os institutos e demais unidades de ensino foram remetendo as respectivas informações. “Tendo em conta a demanda, o Governo aumentou o número de vagas”, frisou.
Mais professores
Para assegurar o funcionamento das instituições de ensino, Luanda conta actualmente com 27.472 professores. Entretanto, revelou a directora, as autoridades provinciais ainda estão a realizar o levantamento das necessidades de docentes, tendo em conta a distribuição das turmas e o número de alunos previsto para o novo ano lectivo.
Como medida de reforço, acrescentou Joana Neto, as escolas de formação de professores vão disponibilizar 917 estagiários para responder às necessidades identificadas nas instituições de ensino.
Escolas públicas e colégios
A rede escolar da província, de acordo com Joana Neto, é constituída actualmente por 416 escolas públicas e 3.272 colégios privados.
No momento, avançou, estão em construção 50 novas escolas, financiadas pelo Ministério dos Petróleos e distribuídas por diferentes níveis de ensino. “A entrada em funcionamento destas unidades deverá aumentar a capacidade de acolhimento de alunos e permitir a integração de mais crianças e jovens no sistema de ensino”, assegurou.
Acesso ao ensino
Helena Estêvão, mãe de uma aluna, relatou que o regresso às aulas constitui, para muitas famílias, um período de maior pressão financeira, sobretudo devido à falta de vagas nas escolas públicas e aos custos associados ao ensino privado.
Para a cidadã, o desafio “começa logo na procura por uma vaga e prolonga-se até à aquisição do material escolar e dos uniformes, ao pagamento de propinas e ao transporte.
Segundo a encarregada de educação, conseguir uma vaga numa escola pública tornou-se uma das principais dificuldades enfrentadas pelas famílias, uma vez que, em muitos estabelecimentos, as vagas disponíveis são insuficientes para atender à procura.
“Quando não conseguem lugar no ensino público, os pais são obrigados a recorrer aos colégios privados, onde se deparam com uma nova barreira, os custos”, afirmou.
Compras feitas com antecedência
Para evitar uma despesa elevada de uma só vez, alguns pais optaram por preparar o regresso às aulas com semanas ou meses de antecedência. É o caso de Alice dos Santos, mãe de dois alunos, um da 6.ª e outro da 3.ª classe, que começou a comprar o material há cerca de dois meses.
“Não comprei tudo de uma vez. Fui comprando”, explicou, considerando que os preços eram acessíveis.
A encarregada de educação disse ter praticamente todo o material preparado, restando apenas alguns artigos, como a bata da filha, de nove anos.
“Ela cresceu e a bata já está curta. Como a escola tem regras, preferi comprar outra”, explicou.
Propinas e transferências agravam despesas
A encarregada de educação Helena Estêvão chamou, igualmente, atenção para o aumento das propinas nos estabelecimentos privados. Segundo ela, todos os anos algumas escolas aumentam os valores cobrados, situação que surpreende muitas famílias no momento da matrícula ou da sua confirmação.
As despesas podem aumentar quando a família precisa de colocar a criança noutra escola, seja por mudança de residência, bairro ou cidade. Nestes casos, além de procurar uma nova vaga, os encarregados de educação ainda têm de suportar os custos do processo de transferência.
“Algumas instituições privadas chegam a cobrar entre 15 e 20 mil kwanzas por uma transferência, um valor bastante pesado para famílias que já enfrentam dificuldades para suportar as restantes despesas escolares”, lamentou.
Crianças aguardam pelo regresso
Enquanto os pais fazem contas para completar as listas escolares, os alunos aguardam, com expectativa, o regresso às salas de aula. É o caso de Diva Pedro e Otchali Merlath, que acompanharam a mãe ao mercado do São Paulo para a compra do material escolar.
Dádiva Pedro, de 10 anos, que vai frequentar a 6.ª classe, disse estar muito ansiosa para retomar as aulas e reencontrar os colegas. A Matemática está entre as suas disciplinas preferidas e, no futuro, pretende ser advogada. “Estou com saudades dos meus colegas e professores”, revelou.
Por sua vez, Otchali Merlath, de 9 anos, contou que vai frequentar a 3.ª classe e está entusiasmada para iniciar o novo ano lectivo. “Entre as coisas que mais sinto falta estão os meus professores e os colegas”, frisou.



