As autoridades tradicionais e eclesiásticas do Cuando foram chamadas a trabalhar em estreita colaboração com a Polícia Nacional, denunciado os crimes violentos, disse, sábado, o segundo comandante da corporação na província.
António Katuta pediu maior atenção das autoridades tradicionais e eclesiásticas no combate aos crimes praticados com recurso a arma de fogo, as agressões sexuais contra menores e ao tráfico de seres humanos, por serem os que ocorrem, nos últimos anos, com maior frequência no seio familiar e nas comunidades.
O superintendente-chefe sublinhou que casos do género não devem ser resolvidos nas embalas, onde muitos delitos são resolvidos com pagamento de multa, principalmente com oferenda de cabeças de gado.
O direito costumeiro, destacou, não deve se sobrepor ao direito positivo. “As questões relacionadas com as tradições, hábitos e costumes de uma comunidade devem ser tratadas nas embalas dos reis, ao passo que as transgressões administrativas e outros crimes puníveis por lei, devem ser apresentado à Polícia Nacional para o devido tratamento, responsabilizando os criminosos”, lembrou.
O segundo comandante mostrou-se ainda preocupado com a prática de garimpo de ouro, principalmente pelos riscos aos quais ficam sujeitos os cidadãos que insistem na actividade. “Muitas vezes, são riscos desnecessários, além do facto de ser um crime”, alertou.
Segundo o oficial superior, é necessário que as autoridades tradicionais do Cuando redobrem os esforços e estejam cada vez mais vigilantes com os camponeses e pequenos agricultores que cultivam estupefacientes, vulgo liamba, no interior das lavras.
Os estupefacientes, explicou, tem sido o catalisador para o cometimento de muitos crimes. “Muitos indivíduos usam esta substância ilícita para ter coragem de cometer delitos”, disse, além de pedir às autoridades tradicionais, eclesiásticas, pais e encarregados de educação a ter um papel decisivo na construção da personalidade dos cidadãos.
“Em muitos casos, pais e encarregados de educação omitem alguns delitos e comportamentos desviantes dos filhos, que, em algumas circunstâncias, levam para casa objectos de grande valor”, disse, adiantando que é preciso estreitar mais a comunicação permanente entre os órgãos de Segurança Púbica e os cidadãos.
Antonio Katuta disse que, no âmbito do programa de policiamento de proximidade, a Polícia joga um papel pedagógico, mostrando aos cidadãos o caminho a seguir para evitar cometer crimes e estar a contas com a justiça.



