Às primeiras horas da manhã, quando grande parte da cidade ainda despertava, Stela Diogo, de seis anos, já estava a caminho da escola. Vestida com a sua bata branca e acompanhada pela mãe, a menina chegou à Escola Nossa Senhora da Luz (Escola Primária Católica n.º 10006), no município do Rangel, determinada a iniciar mais um ano de estudos, com o sonho de ser médica.
A frequentar a 1.ª classe, Stela não quer perder nenhuma aula. Para ela, cada dia na escola representa um passo em direcção à profissão que pretende abraçar no futuro. Mas, para chegar à sala de aula, a pequena estudante precisa enfrentar, diariamente, a distância entre Viana, onde reside, e o Rangel, onde estuda.
Devido ao percurso, a rotina começa cedo para Maria Isabel, mãe de Stela, que tem de sair de casa com os filhos e apanhar táxi ou autocarro para os levar à escola. “Não tem sido fácil a locomoção. A viatura que nos apoiava está no mecânico e temos recorrido aos táxis e, às vezes, aos autocarros.
O segredo tem sido sair de casa um pouco mais cedo”, contou, acrescentando que a filha, de apenas seis anos, estava muito ansiosa para voltar às aulas e rever os colegas.
Movimento madrugador
Na Escola Nossa Senhora da Luz, o movimento começou cedo. Crianças uniformizadas ocuparam o recinto, entre reencontros, brincadeiras e a expectativa de conhecer novas salas e professores.
A instituição recebe, neste ano lectivo, cerca de 1.850 alunos, da iniciação à 6.ª classe, distribuídos em 23 salas. O subdirector pedagógico, João Benjamim, considerou positivo o arranque das aulas, destacando a presença dos professores e a afluência dos estudantes.
“Tivemos um número considerável de alunos no primeiro dia e a presença de todos os professores. Temos todas as condições criadas para o arranque do ano lectivo, por isso, os pais podem trazer os filhos”, afirmou.
Manuais em falta
Além da frequência escolar, a disponibilidade de material didáctico continua a fazer parte das preocupações das famílias e das instituições.
João Benjamim informou que a escola já começou a receber manuais para distribuição aos alunos. Parte dos livros do ano anterior também será reaproveitada, numa tentativa de aumentar o número de estudantes abrangidos.“Ainda restaram alguns livros do ano passado. Com os deste ano, vamos juntar e atender um número maior de estudantes”, explicou.
A direcção pretende, igualmente, sensibilizar os alunos e encarregados de educação para a conservação dos manuais, de modo a permitir a sua devolução no final do ano lectivo e o posterior reaproveitamento.
Estudantes do IMNE Marista mostram assiduidade
No Instituto Médio Normal de Educação (IMNE) Marista, o movimento de estudantes e encarregados de educação começou nas primeiras horas do dia. Para Ângelo Jeremias, professor de Psicologia e Técnica de Estudo, o cumprimento das regras é uma das características que distingue a instituição.
“Somos uma escola muito rigorosa e, por esse motivo, os alunos cumprem as regras”, afirmou, acrescentando que a instituição oferece boas condições de trabalho aos professores.
O subdirector pedagógico do II ciclo da instituição, Estêvão Garcia, explicou que, para o ano lectivo 2026/2027, o IMNE recebeu cerca de 699 alunos para os testes de selecção. O responsável realçou que, este ano, a maior aposta vai ser o reforço do contacto com as famílias, como a base fundamental do processo de instrução e educação dos alunos.
Questionado sobre a sobrelotação de alunos por sala, Estêvão Garcia explicou que o Decreto Presidencial estipula o limite de até 45 alunos por turma, mas a 10.ª classe em quase todas as escolas excede a regra, devido à demanda de estudantes para o ensino médio.
Continuidade dos estudos
A milhares de metros da sua terra natal, Hortênsia Pedro, de 16 anos, começa uma nova etapa em Luanda. Natural da Huíla, a estudante frequenta a 10.ª classe, no curso de Língua Portuguesa, no IMNE-Marista, e reside num internato da Igreja Católica, no Rangel.
A adolescente deixou a família para ter acesso a novas oportunidades de formação. Com o apoio da mãe e do tio, decidiu continuar os estudos na capital, onde pretende se preparar para concretizar o sonho de ser professora. “Quero adquirir novos conhecimentos, ter novas especialidades e prosperar”, revelou.
Para Aberlindo Boa, estudante do curso de Língua Portuguesa e Educação Moral e Cívica, o primeiro dia de aulas foi bom, pois teve a oportunidade de conhecer novos colegas e ter noção das regras da Igreja Católica, apesar de pertencer a outra seita religiosa. “Espero adaptar-me facilmente às normas da instituição e trocar muitas ideias com os colegas”, disse.
Além de ministrar aulas do ensino médio, o IMNE tem, também, dado aulas da iniciação. Um destes alunos é Serginho Francisco, de cinco anos, que foi levado à escola pela irmã, Dádiva Francisco. O entusiasmo era visível no rosto do menor. “Ele está muito entusiasmado para estudar”, contou.
Atrasos na publicação das listas
As aulas no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL) ainda não iniciaram. O Jornal de Angola constatou salas vazias e os corredores abarrotados de alunos que procuravam saber se os nomes constavam nas listas dos candidatos apurados para o presente ano lectivo.
Para Filomena Cassanga, estudante do curso de Administração Pública, é uma felicidade ser admitida na instituição. “Durante a inscrição, tive uma forte concorrência, por isso decidi preparar-me bem para o exame de acesso”, explicou, salientando que está expectante com o começo das aulas, tendo garantido dedicar-se para fazer parte dos melhores estudantes do IMEL.
Entre os encarregados de educação que foram ver o nome dos filhos, constava Argentino Capepula, cujo nome do educando não constava. Questionado sobre o assunto, disse que a escola garantiu resolver a situação dentro de dois dias. “Só resta aguardar o desfecho do caso”, frisou.
Mendes Afonso, estudante da 12.ª classe, do curso de Contabilidade e Gestão, contou que as expectativas são altas, pois falta apenas um ano para terminar o ensino médio e começar a preparação para a universidade. “Estou pronto para o início das aulas, passar para a 13.ª classe com notas boas e ser sempre um aluno exemplar”.
Cazenga
No Complexo Escolar n.º 3004, no Cazenga, também conhecido como Escola 15, o movimento foi diferente. Apesar da presença de alunos e encarregados de educação, as aulas só começam amanhã, dia 3.
Ontem, a maioria dos alunos deslocou-se à instituição para consultar as listas e saber quem foi admitido. Enquanto isso, as salas permaneciam vazias e a direcção concluía os últimos trabalhos de organização do recinto.
A directora do complexo, Violante Buila, informou que foram inscritos mais de dois mil alunos, da iniciação à 9.ª classe, além de referir que a instituição dispõe de 24 salas e 64 professores, sendo 46 do ensino primário e 18 do primeiro ciclo.“Estamos preparados. A escola está higienizada, recebemos mesinhas para 40 alunos da iniciação e 200 carteiras para o ensino primário. Recuperámos, também, algumas antigas”, explicou.
Escolas reabilitadas ficam prontas até ao fim do mês
A directora provincial da Educação de Luanda, Joana Torres, disse, ontem, que as escolas Ngola Kanini, Juventude em Luta e Ngola Kiluanje, actualmente em reabilitação, possivelmente vão entrar em funcionamento a partir da segunda quinzena deste mês.
As outras, continuou, como a Escola 1.º de Maio, o Instituto Técnico Comercial, a Escola do Ensino Especial do Rangel n.º 1531, Njinga Mbande e o Complexo Escolar n.º 9001, no Benfica, estão a ser concluídos os acessos e entrarão em funcionamento gradualmente a partir do I trimestre do ano lectivo até Dezembro. “Os alunos destas instituições foram transferidos provisoriamente para as escolas mais próximas”, disse.
Rotina emocional
O psicólogo Alberto Cassaba recomendou os encarregados de educação que mantenham os horários de sono consistentes com o regresso às aulas e a preparem com antecedência a mudança para a rotina escolar dos seus educandos.
O sono adequado, defendeu, está directamente relacionado com a atenção, aprendizagem e funcionamento escolar. “Os pais não devem transformar a primeira semana de aulas em dias de cobranças, isso pode gerar mais pressão”, alertou, tendo defendido que é necessário acompanhar primeiro a recuperação da rotina emocional e, posteriormente, o ritmo académico.
Trânsito regular
O primeiro dia de aula não afectou o trânsito na capital do país. As rotas faziam-se na normalidade e sem qualquer sobressalto. O trajecto Viana/Largo das escolas foi o que mais presença de alunos se verificou, causando a sobrelotação dos táxis e autocarros públicos.
Absentismo em Cabinda
O primeiro dia de aulas, no ensino primário e secundário, que arrancou ontem, em todo o país, ficou marcado por um grande nível de absentismo de alunos na província de Cabinda.
Numa ronda efectuada pela equipa de reportagem, constatou-se uma ausência significativa de alunos em diversas escolas da província, sobretudo nas do ensino primário e I ciclo. Por sua vez, os professores fizeram-se presentes em cerca de noventa por cento.
No Complexo Escolar Comandante Gika n.º 223, na escola primária e do I Ciclo n.º 211, Saidy Mingas, na cidade de Cabinda, assim como no Colégio do I ciclo n.º 76 da Barão Puna, foi notório a presença massiva de professores.
Paulo Bumba, professor da escola Saidy Mingas, disse que este nível acentuado de absentismo pode cair em prejuízo na avaliação dos alunos, pelo facto de o conteúdo lectivo ser sempre uma sequência disciplinar.“Estamos preparados para leccionar, só estamos mesmo à espera dos alunos” alertou.
Na ocasião, o secretário provincial da Educação, Boaventura Macia, manifestou-se preocupado com o nível de absentismo de alunos que se verifica no primeiro dia de aulas, sobretudo nas escolas do ensino primário e do I ciclo.
Ausências no Bengo
A ausência de alunos marcou, ontem, em Caxito, província do Bengo, o primeiro dia de aulas em algumas escolas, apesar da presença em massa de professores, directores pedagógicos e funcionários administrativos.
Na Escola Primária n.º 1017, por exemplo, três alunos compareceram às aulas, mas acabaram por regressar a casa, devido à ausência da maioria dos colegas.
Em declarações ao Jornal de Angola, a directora da instituição, Joana Pedro, informou que, apesar da reduzida presença de alunos, o colectivo de trabalho está preparado para assegurar o normal funcionamento das actividades. “O grupo está preparado e acreditamos que, nos próximos dias, teremos uma maior presença de alunos”, recomendou.
Catete tem escolas requalificadas
Os complexos escolares n.º 1010, na zona de Maria Teresa, comuna de Caculo Cahango, e n.º 1015, na sede da Comuna de Caxicane, foram requalificadas, no âmbito do Programa Integrado de Assistência Comunitária (PIAC), e vão contar, neste ano lectivo, com uma ampliação do número de salas.
Com a reabilitação, as duas unidades passam a contar com salas de aula equipadas, com quadros ecológicos e sistema de refrigeração, uma biblioteca, sala de informática para 25 computadores, refeitório com 100 lugares e residência para professores.
As obras, iniciadas em Julho, garantiram a recuperação da infra-estrutura e a construção de compartimentos administrativos e zonas de recreio. A directora da Educação de Catete disse que as escolas passam, agora, a oferecer melhores condições de ensino, aprendizagem e aumento de oferta de vagas.
Com as obras feitas nas duas escolas, disse Luyana dos Santos Alexandre, o município disponibiliza, para o ano lectivo que arrancou ontem, 2.212 vagas, sendo 399 (iniciação), 1.524 (ensino primário) e 289 (10.ª Classe).
Para o presente ano lectivo, realçou, Catete conta com 24 escolas públicas, das quais 23 do ensino primário e um liceu, 87 pontos de alfabetização e 50 de Educação de Jovens e Adultos, além de três escolas privadas.
Ministra entrega manuais didácticos
Adolfo Mundombe | Huambo
A ministra da Educação, Érika de Carvalho Aires, procedeu, ontem, terça-feira, no Huambo, à entrega de 1 milhão e 352 mil manuais escolares de diferentes disciplinas, da iniciação à sexta classe, que vão ser distribuídos nos 17 municípios.
No mesmo acto, Érika de Carvalho Aires fez, igualmente, a entrega formal de 27.315 carteiras escolares, que irão, também, ser colocadas em diferentes escolas, em função das necessidades.
Na ocasião, o director do Gabinete da Educação no Huambo salientou que as direcções municipais da Educação serão responsáveis pela distribuição dos manuais em todas as escolas do ensino primário das suas jurisdições, para que todos os alunos tenham livros.
Mário Rodrigues adiantou, ainda, que o reforço com carteiras escolares e livros é um passo dado para melhoria das condições escolares nas comunidades. O número de materiais que a província teve acesso, disse, é significativo, apesar de ainda haver a necessidade do reforço, tanto a quantidade de manuais escolares, bem como de carteiras, para atender à demanda da população académica.
O responsável da Educação no Huambo salientou que este benefício permitirá que as crianças tenham melhores condições de aprendizagem nas escolas. Aos pais, encarregados de educação e alunos, apelou para que os livros e as carteiras sejam preservados para que sejam usados no ano lectivo seguinte por outras crianças.
A administradora municipal da Galanga, Carlota Tchilonga, que recebeu 400 carteiras e vários manuais, disse que o material vai minimizar a demanda dos mais de 15 mil alunos inscritos para o presente ano lectivo nas 23 escolas existentes na circunscrição, sendo 20 do ensino primário e 3 do I ciclo, assegurados por 203 professores.
“As carteiras chegaram num bom momento. Nesta altura, estão a ser construídas 3 escolas primárias no município e a ser feita a reabilitação de outras, que não possuíam carteiras. As 400 carteiras vão reduzir a procura”, disse.
Por sua vez, a administradora do município da Chilata, Feliciana Lumbuambua, salientou que, com o material recebido, vai ser possível colmatar algumas necessidades de escolas que não possuíam carteiras.“Estas carteiras não vão suprir todas necessidades, ainda haverá falta, mas o reforço é um grande passo, para um município novo e vai ser possível cobrir parte das escolas existentes”, disse.
Novas infra-estruturas no Uíge
A sede municipal de Massau, situada a 345 quilómetros da cidade do Uíge, ganhou, ontem, duas infra-estruturas sociais, ligadas aos sectores da Saúde e da Educação, inauguradas pelo governador provincial, José Carvalho da Rocha, à margem do acto de abertura do ano lectivo 2026/2027.
As referidas infra-estruturas, um colégio de sete salas de aula e um centro de saúde, com 24 camas, este último reaberto, após beneficiar de obras de restauro, foram construídas com fundos do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).
De acordo com o director do referido colégio, Cardoso Manuel Kifinda, foram matriculados, para o presente ano lectivo (2026/2027), 589 alunos da sétima a nona classe. Antes, lembrou, os alunos estudavam em salas improvisadas.
O estabelecimento de ensino inaugurado, informou, possui apenas nove professores, número que considerou inferior, tendo, por isso, solicitado o enquadramento de mais 24 docentes.
O reduzido número de escolas em Massau, um novo município criado à luz da nova Divisão Político-administrativa (DPA), de acordo com o director, tem levado muitos adolescentes e jovens a se deslocarem para República Democrática do Congo à procura de oportunidades formativas.
Em função desta realidade, o governador provincial garantiu que o Governo vai continuar a aumentar o número de escolas, não apenas em Massau, mas em todas as regiões, a fim de permitir a inserção de mais crianças e jovens no sistema de ensino e aprendizagem.
“Vamos continuar a trabalhar para construir mais escolas do género, não só aqui em Massau, mas, também, noutras localidades da nossa província”, referiu o governante.
Alunos inscritos no Cunene
Um total de 242.120 alunos de diferentes sistemas do ensino foram matriculados para o presente ano lectivo 2026/2027, na província do Cunene, aberto oficialmente ontem, no município do Chiéde, disse o director do Gabinete Provincial da Educação.
Domingos de Oliveira explicou que o novo ano lectivo deve ser marcado pelo reforço do acesso e permanência dos alunos nas escolas, melhoria das aprendizagens e maior aproximação das instituições às comunidades.“Queremos uma escola inclusiva, organizada e comprometida com as aprendizagens”, afirmou.
O responsável informou que, no ano lectivo 2025/2026, foram matriculados 237.231 alunos, dos quais 142.357 aprovaram, 45.820 não transitaram de classe e 49.054 abandonaram a escola. Segundo o director, para o presente ano lectivo, a província conta com 348 escolas, 242.120 alunos matriculados e 4.268 professores, estando, igualmente, previsto o ingresso de mais 366 docentes, por via do concurso público em curso.
“Precisamos de transformar efectivamente a vida das crianças por meio da educação”, sublinhou, acrescentando que o sucesso do sector depende do compromisso conjunto das autoridades, professores e parceiros sociais.
O director de educação destacou a realização do acto no Chiéde, como sinal da aproximação das instituições públicas às comunidades e às escolas.
Inaugurações no Moxico
O governador da província do Moxico inaugurou, ontem, no Luena, três escolas de ensino primário, com capacidade total para matricular 2.960 alunos em dois turnos no presente ano lectivo.
A escola primária n.º 1089 Comandante Muatchissenguie e n.º 1090 João Kanhgengue, construídas em nove meses, num investimento avaliado em um bilião e 40 milhões de kwanzas, com o patrocínio da Sociedade Mineira de Catoca, contemplam 14 salas de aula para um universo de 1.260 alunos.
O governador Ernesto Muangala destacou que a inauguração das três escolas representam um ganho para a província do Moxico e vão contribuir para o aumento do número de salas de aula e minimizar a carência de crianças fora do sistema de ensino.
“O município do Luena está a crescer e a nossa meta é construir mais escolas, porque a taxa de natalidade é elevada. As crianças estão a crescer e o Governo deve garantir as condições para que estudem para o amanhã”, disse.
O director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo (MIREMPET), Alexandre Garrett, disse que o seu pelouro vai continuar a apoiar o Governo local na construção de escolas em benefício das crianças e do melhoramento do processo de ensino-aprendizagem.




