“Bebés siameses não serão separados”, afirma Hospital Pediátrico David Bernardino

O hospital Pediátrico David Bernadino está a acompanhar o caso de dois bebés do sexo masculino siameses de três meses que para lá foram transferidos da maternidade Lucrécia Paím, em Luanda. Entretanto, a Directora Clínica afirmou nesta sexta-feira que as crianças não serão separadas.
O caso, descrito como de elevada complexidade clínica, foi transferido no dia a seguir ao seu nascimento.
A directora-Geral do Hospital Pediátrico David Bernardino, Elsa Manuela de Castro Barão Gomes, referiu que desde a admissão naquela unidade, os bebês têm sido assistidos por uma equipa multidisciplinar composta por especialistas em neonatologia, cirurgia pediátrica, anestesiologia, enfermagem especializada, imagiologia e outras áreas complementares, assegurando uma abordagem técnica integrada, contínua e diferenciada.
De acordo com Elsa Manuela de Castro Barão Gomes, o acompanhamento clínico tem sido realizado com rigor técnico e permanente monitorização do estado geral dos bebés.
Em relação ao estado clínico dos bebés, a Chefe de Serviço de Neonatologia, Paula Quaresma, garante que os bebés apresentam evolução estável, com progressão ponderal adequada, boa vitalidade e resposta favorável aos cuidados médicos prestados.
“Avaliações clínicas e exames complementares demonstraram que os gémeos partilham órgãos vitais, tornando inviável, neste momento, qualquer procedimento de separação cirúrgica devido aos elevados riscos associados”, explicou.
A responsável acrescentou que durante o período de internamento, foi realizada uma intervenção cirúrgica para correção de malformação anorretal, garantindo melhores condições fisiológicas e maior estabilidade clínica.
Além da assistência médica, o hospital activou mecanismos de apoio psicossocial, envolvendo o Serviço Social e equipas de acompanhamento familiar, assegurando suporte emocional, orientação e seguimento contínuo aos progenitores.
O caso conta com o envolvimento de representantes do Ministério da Saúde, do MASFAMU e de outros parceiros sociais, no quadro do reforço da proteção social e do acompanhamento integrado à família. Técnicas do MASFAMU realizarão visitas domiciliárias aos progenitores, com o objectivo de avaliar as condições sociais, orientar a família e promover iniciativas de geração de rendimento para garantir maior sustentabilidade e estabilidade familiar.



