Bengo aberto à visitação de angolanos e estrangeiros

É ponto assente que o país está prenhe de belezas naturais. O Atlântico é uma montra inigualável, as florestas são um habitat único, as montanhas formam obstáculos por explorar, muito porque desconhecemos o que preenche o seu interior, se oco, compacto, aquífero, enfim… As savanas com muita flora e fauna para investigar, estudar e colocar em prol do desenvolvimento, fazendo de Angola um espaço com unicidade.
Paradoxalmente, muitos de nós, sobretudo os caluandas, entenda-se, que vivem na capital, estamos inclinados a viajar pouco pelo país. Muitos preferem o além-fronteiras. O desfrute das nossas belezas naturais, conhecer o país de lês a lês, hoje, está entregue aos angolanos que vivem em outras províncias. Muitos destes têm o conhecimento real do estado da rede rodoviária nacional, rios, montanhas, espécies animais e vegetais, porque fazem-se às estradas em meios privados (automóveis e autocarros), principalmente em datas festivas, para reencontros de familiares e amigos, em serviço ou quando a ocasião se lhes oferece. Com o calar das armas, viajar por estrada colocou os Boeings e outros meios aéreos de distintas marcas e tipologias um pouco em stand by, a recolher poeira nos hangares; forçando os operativos da companhia aérea de bandeira, e não só, à coca de novas rotas. A melhorar o exercício de marketing e a apostar em variáveis para atrair passageiros ou prestar serviços. O movimento de redescoberta do país não encontra travão nas estradas esburacadas, vias terciárias em más condições e outras alternativas. Para frente é o caminho. Hoje, com o restauro do capital físico, com a prioridade direcionada para a construção e/ou reabilitação de estradas, um pouco por todo o tecido nacional, sem excepção, estamos em crer que o “Visit Angola - The ritm of life”, a seu tempo, terá tapete asfáltico e malha viária bastante para movimentos em todos os sentidos e recantos, fazendo de Angola destino turístico apetecível para nacionais e visitantes extramuros. À partida, de um dividendo não nos livramos. É possível aferir o potencial com que a Mãe-Natureza nos equipou, em cada deslocação pelo país. O movimento rodoviário diário, de finais de semana e datas festivas, dá a ver a mol de gente ávida em circular pelo país, carregando consigo a ansiedade pelo conhecimento, a prioridade na colheita de informações e no contacto com outras realidades. Uns tantos repetem o exercício, vezes sem conta, num sinal de que o país pulsa, movimenta-se e transpira vida. Bengo bonito e acessívelBengo pode ser placa giratória no quadro do “Visit Angola - The ritm of life”. Próximo da cidade da Kianda, é das províncias bafejadas pela Mãe Natureza, que a equipou com belezas fora do comum, paisagens convidativas, banhada pelo oceano atlântico, com montanhas em que pontifica a estrada das mil e uma curvas em direcção a Quibaxe, e outras estreitas com muito capim nas curvas, que inspiram cuidados ao condutor, em direcção a Pango Aluquém, para só citar estas. O clima tropical húmido e quente, com chuvas durante nove meses, muita água dos rios Dande, Bengo, Lifune, Loge, Onzo… a que se juntam as lagoas do Panguila, Úlua, Ibêndua, Sungui, Ovo, com utilidade na pesca territorial e, ainda, capacidade para irrigar grandes extensões de terras aráveis; um quinhão que torna a província um portento em termos de proventos agrícolas, madeiras e produção vegetal diversificada. Nas terras do jacaré bangão, a água capitaliza atenções. Sem o precioso líquido, o réptil mais famoso da província não teria como sustentar a existência e a história que perdura há décadas, da sua insistência em também pagar imposto, a exemplo dos humanos, estes, cansados da tenebrosa noite colonial. O gesto faz parte do folclore local. O simbolismo, transmite-se há gerações, tornando-o mítico e com direito a estátua. As más línguas atribuem as grandes enxurradas de 2024 à mudança despropositada do artefacto de betão da localidade da Kijanda ao Sassa Povoação, sem as devidas honrarias, homenagens e tributos: comes e bebes e danças para alegrar as distintas figuras, conforme manda a tradição. Segundo a linguagem viperina, as divindades do Bengo estiveram em alvoroço. Acto contínuo, castigaram os supostos prevaricadores e a população inocente, que não acusou o infame acto, com chuva. Muita chuva. O infortúnio, por conta do suposto mau gesto, prejudicou com inundações os moradores do Kitongola, Kitonhe, Kimaria, Kijoão Mendes zona C, Kingombe, Quixiquela, Quissoma, Kawango, Mifuma, Açucareira bairro 8, para só citar estes. Inundados, com as casas sem serventia e os apoios imediatos do Executivo local na ordem do dia, os moradores mudaram de ares para a nova urbanização do Quilómetro 25 e Sassa Pedreira, às Mabubas, onde apostam num novo começo, salvaguardando a vida. A deslocação aos 12 municípios da província do Bengo é facilitada por vias de acesso, que facilitam a circulação de pessoas e bens. As vias são os dividendos a ter em conta por terras do jacaré bangão.Outro segmento acessível para visita ao Bengo é por mar. O oceano Atlântico faz morada e assenhora-se de um grande quinhão da província, sendo palco geográfico para aquisição de pescado, navegação por canoas e outros benefícios. Infelizmente, a cabotagem ainda não é um privilégio. O mesmo acontece com portos para atracagem e pontes cais, elementos sine qua non para uma navegação bem conseguida. Tributo ao largo arenoso que forma as praias de águas límpidas do Sarico, ao Panguila, até ao município do Ambriz, que podem receber banhistas durante todo o ano, muito pelo clima, com um sol convidativo. No Bengo, as zonas turísticas estão um pouco por todo o lado. À entrada da província, a partir de Cacuaco, a lagoa do Panguila é o chamariz e postal de boas vindas. Seguem-se, preenchendo o corredor rodoviário, equipamentos de restauração (alguns a céu aberto com o cacusso como principal iguaria); hotéis e espaços de diversão até ao desvio da Barra do Dande; este, por sua vez, dá acesso a um potentado de praias, turismo de campo, zona franca em ascensão, complexos fabris em edificação e outros muitos motivos de interesse. Do desvio da Barra do Dande em direcção a Caxito, paisagens naturais, declives e aldeias com casas rústicas ou precárias, que ainda dão vazão ao estilo de vida à moda antiga; com o “castigo” de acartar água, uso de lenha para a cozinha e a agricultura de subsistência. Está sempre presente a visibilidade da Igreja Católica, com relevância para as paróquias Nossa Senhora do Sameiro, de Guadalupe e a majestosa Santana, local de peregrinação e precursora do turismo religioso. Caxito, a capital do Bengo, tem igualmente motivos de interesse, com o passado a chocar com a modernidade; hábitos e costumes entrincheirados, equipamentos sociais em catadupa, a cidade em requalificação está refém do verde que a circunda, muito pela presença do rio Dande e de fazendas agrícolas no seu perímetro. Fora da urbe proliferam monumentos e sítios catalogados e à espera de visitantes.


