Benguela, cidade "inundada" de famílias em fuga - Cinco mortos e 4.000 pessoas sem abrigo no rescaldo da última catástrofe

São dados oficiais sobre as consequências do rompimento do dique de protecção da margem esquerda do Cavaco, que afectou pelo menos cinco bairros periféricos, de onde ainda fogem famílias à procura de segurança no casco urbano.
Tal como verificou esta manhã o NJ, várias famílias ocupavam passeios, jardins, ou permaneciam à porta de instituições públicas, com trouxas de roupas, televisores e botijas de gás.
São aquelas que, mesmo com as casas inundadas e as fortes correntes de água, conseguiram "salvar" alguns electrodomésticos. Não é o caso da família de Ana Ngueve, oriunda da Calomanga, que pernoitou na Estação do Caminho-de-ferro de Benguela.
"Perdemos tudo, não conseguimos nada", resume, em lágrimas, a senhora, enquanto o filho, bem ao lado, acrescenta que a preocupação da família "era só evitar mortes".
Os cidadãos ouvidos neste local dizem esperar por apoios do Governo Provincial de Benguela e de uma sociedade civil que se mobiliza para fornecer alimentação, vestuário e outros bens essenciais.
O Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA) informa que assistiu 40 pacientes, a maior parte com crises de pânico, e destaca um parto no telhado de uma casa.
Em alertas dirigidos ao Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, os cidadãos contactados pelo Novo Jornal acrescentam que "existem muitos companheiros desaparecidos".
O transbordo do Cavaco, reflexo de fortes chuvas no interior da província, danificou duas pontes ferroviárias, uma no Caimbambo e outra em Benguela, justamente aquela que se encontra sobre o rio que transbordou.
As águas destruíram ainda campos agrícolas no vale do Cavaco, tal como dá a conhecer o Governo Provincial, que reafirma apoio às famílias afectadas e medidas para minimizar os estragos.


