A província de Cabinda concentra 200 dos 289 casos confirmados de Mpox registados em Angola, segundo dados apresentados sexta-feira, 14 de Agosto, durante uma visita de trabalho da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.
Até 11 de Agosto, Cabinda contabilizava ainda 274 casos suspeitos, enquanto, a nível nacional, estavam registados 505 casos suspeitos. Apesar da evolução da doença, Angola não registou, até ao momento, mortes por Mpox.
Durante a missão, Sílvia Lutucuta avaliou, com as autoridades provinciais, a situação epidemiológica e as medidas de resposta à doença, tendo destacado a necessidade de reforçar a vigilância comunitária, o rastreio e acompanhamento dos contactos, o isolamento dos casos suspeitos e confirmados e a investigação das cadeias de transmissão.
A ministra esclareceu que a situação em Cabinda não está associada exclusivamente à circulação transfronteiriça com a República Democrática do Congo (RDC), uma vez que existem evidências de transmissão local. Segundo a governante, alguns pacientes diagnosticados não tinham histórico recente de viagens, estando outros casos relacionados com contactos directos com pessoas infectadas.
Face à extensão da fronteira com a RDC e à intensa circulação de pessoas, o Ministério da Saúde vai reforçar a vigilância nos principais pontos de entrada, com atenção a viajantes que apresentem febre, lesões ou erupções cutâneas, para permitir a identificação e encaminhamento precoce dos casos suspeitos.
“Se houver alguma suspeita, devemos evitar o contacto, isolar estas pessoas e confirmar o diagnóstico”, afirmou Sílvia Lutucuta.
No domínio da vacinação, a ministra anunciou que Cabinda deverá avançar com uma estratégia de vacinação de bloqueio, destinada prioritariamente aos contactos de casos confirmados e às pessoas consideradas de maior risco, logo que sejam disponibilizadas as doses.
Angola conta, para o efeito, com o apoio de parceiros internacionais e aguarda a disponibilização de vacinas através do CDC África. A operação deverá envolver diferentes sectores do Estado, incluindo as Forças Armadas Angolanas e o Ministério do Interior, em coordenação com as autoridades sanitárias.
Uma equipa nacional de resposta rápida, liderada pela área de Saúde Pública do MINSA, permanecerá em Cabinda para apoiar a investigação epidemiológica, o rastreio de contactos, a vigilância e a mobilização comunitária. As autoridades angolanas mantêm igualmente contactos com a RDC para reforçar a vigilância transfronteiriça e a troca de informação.
Durante a visita, a ministra deslocou-se ao Centro de Tratamento de Mpox, localizado na Centralidade Santana Pitra Petrof, onde avaliou as condições de atendimento, isolamento e acompanhamento dos pacientes, além de interagir com as equipas de saúde que asseguram a assistência aos doentes.
O MINSA mantém a vigilância epidemiológica noutras províncias, com destaque para o Moxico, particularmente no município do Luau.
A ministra apelou à colaboração da população e dos responsáveis de hotéis, pensões e outros estabelecimentos de alojamento, para que situações suspeitas sejam comunicadas atempadamente às autoridades sanitárias.
Sílvia Lutucuta considerou a situação de Cabinda preocupante, mas controlável, desde que sejam reforçadas as medidas de prevenção, detecção precoce, isolamento, acompanhamento dos contactos e vacinação.
A Mpox pode evoluir para formas graves, sobretudo em pessoas com imunidade comprometida, sendo por isso fundamental a procura atempada dos serviços de saúde perante sinais suspeitos e a redução do contacto directo com pessoas potencialmente infectadas.




