A Campanha Nacional de Testagem e Vacinação contra a Hepatite B, que decorre de 15 de Julho a 15 de Agosto, já diagnosticou 745 novos casos positivos da doença em oito províncias do país.
A informação foi avançada terça-feira, em Luanda, por Maria Marques, chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Monitoria e Avaliação do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS). Desde o início do programa, foram testadas 8.936 pessoas, das quais 665 já foram notificadas no Sistema Nacional de Vigilância. Maria Marques alertou, no entanto, para os desafios no registo de dados. “Infelizmente, o maior problema tem sido o registo destes casos. Após a testagem, as pessoas com resultados positivos devem preencher uma ficha de notificação e ser encaminhadas a uma unidade sanitária para iniciar o tratamento”, explicou. Do total de infectados, cerca de 53% são do sexo feminino e metade dos testes (50%) concentrou-se na província de Luanda. A campanha tem dedicado especial atenção às grávidas para evitar a transmissão vertical (de mãe para filho). Até ao momento, foram testadas 995 gestantes, com 99 resultados positivos, um indicador que, segundo a responsável, exige atenção redobrada das autoridades. Os dados actuais ainda são provisórios, reflectindo o cenário de apenas oito províncias. Devido a atrasos técnicos e logísticos, as províncias do Bengo e do Cuanza-Norte iniciaram as actividades apenas nesta segunda-feira. A meta final é abranger cidadãos de Luanda, Huíla, Benguela, Cuanza-Sul, Huambo, Uíge, Bengo, Cunene, Cuanza-Norte e Icolo e Bengo. A iniciativa visa reforçar a detecção precoce da Hepatite B, ampliar o acesso ao diagnóstico e garantir o acompanhamento clínico dos pacientes. O objectivo alinha-se com a meta global de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. DivulgaçãoA directora-geral do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) — instituição que também coordena a resposta a outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) —, Maria Furtado, fez um apelo público direccionado aos órgãos de comunicação social. A responsável instou a que haja uma maior divulgação e cobertura mediática da Campanha Nacional de Testagem e Vacinação contra a Hepatite B, sublinhando que a imprensa desempenha um papel crucial para motivar os cidadãos a realizarem o rastreio e para elevar os níveis de literacia em saúde da população. “A hepatite, sobretudo a do tipo B, é uma condição médica perfeitamente controlável e tratável, desde que seja diagnosticada de forma precoce. Por essa razão, garantir o acesso atempado e desburocratizado aos cuidados de saúde é fundamental, pois não só ajuda a interromper a cadeia de transmissão da doença nas comunidades, como assegura uma melhor qualidade de vida e longevidade aos cidadãos infectados”, enfatizou Maria Furtado. De acordo com a directora-geral, o envolvimento activo dos media ajudará a desmistificar a patologia, combater o estigma social que muitas vezes envolve as IST e direccionar os cidadãos aos postos de atendimento. A mobilização social é apontada pela direcção do INLS como o motor essencial para reverter o cenário actual de subnotificação e garantir que as pessoas com resultados positivos entrem imediatamente no circuito de acompanhamento clínico do Sistema Nacional de Vigilância.




