O académico Carlos Feijó defende uma mudança profunda no sistema de ensino em Angola, com uma formação de quadros mais ajustada às necessidades da economia e da vida produtiva do país.
Para o académico, os actuais métodos de ensino estão desactualizados e não permitem desenvolver plenamente o potencial dos estudantes, além de contribuírem para o afastamento entre a formação académica e as exigências do mercado de trabalho.
Carlos Feijó considera preocupante o facto de Angola continuar a formar mestres e doutores que, posteriormente, enfrentam dificuldades para encontrar emprego, situação que, no seu entender, demonstra a necessidade de aproximar o sistema educativo das necessidades reais da economia.
“O resultado é esse, que depois, temos mestres e doutores que ficam desempregados, porque não há uma ligação entre métodos de ensino, a vida produtiva e económica”, afirmou.
A posição foi apresentada durante o podcast “Angola Capital Humano”, onde o académico defendeu igualmente uma maior aposta na formação técnico-profissional, como complemento ao actual modelo de ensino e certificação.
Na perspectiva de Carlos Feijó, a educação deve deixar de estar centrada apenas na obtenção de diplomas e passar a preparar os cidadãos para responder às necessidades concretas do país, tendo em conta os sectores estratégicos da economia e as oportunidades de emprego.
O académico defende ainda que a educação deve ocupar um lugar central nas políticas estratégicas do Estado, acompanhada de mecanismos internos de financiamento capazes de garantir a melhoria do sistema.
A proposta reacende o debate sobre a necessidade de uma reforma educativa em Angola, sobretudo para garantir que a formação dos jovens esteja mais próxima das necessidades do mercado, da produção nacional e dos desafios de desenvolvimento económico.




