Pela primeira vez, aos 68 anos, a cidadã Carolina Hyangundi, natural de Benguela, obteve o seu Bilhete de Identidade (BI). O documento foi-lhe atribuído no Posto de Identificação Civil e Criminal de Cabo Ledo, na província do Icolo e Bengo, no âmbito da campanha de Universalização do Bilhete de Identidade.
Carolina Hyangundi viveu durante mais de 50 anos na sua terra natal, entre os municípios da Ganda e do Bocoio, sem nunca ter frequentado a escola, ocupando-se sobretudo da agricultura. Com a morte dos pais durante o conflito armado, a possibilidade de ser registada tornou-se ainda mais difícil, fazendo com que permanecesse 68 anos sem qualquer documento de identificação civil.Há cinco anos, a filha convidou-a a mudar-se para a província do Icolo e Bengo, onde foi recentemente abrangida de Universalização do Bilhete de Identidade. Residente na Zona 10, no município da Quiçama, que faz fronteira com Cabo Ledo, a camponesa percorreu mais de 20 quilómetros para levantar o seu BI, num processo que beneficiou, ontem, cerca de 300 cidadãos. Em declarações ao Jornal de Angola, Carolina Hyangundi explicou que nunca foi registada por falta de documentação dos pais e que, na localidade onde viveu a maior parte da vida, não era possível tratar o Bilhete de Identidade sem o assento de nascimento. Visivelmente emocionada, agradeceu à filha por a ter acolhido e elogiou a iniciativa do Governo Provincial, por permitir que muitos cidadãos passem a ter registo civil e documentos de identificação. Carolina Hyangundi disse que pretende agora aproveitar das vantagens que o Bilhete de Identidade proporciona, revelando que, nos próximos dias, irá com a filha a uma agência bancária para obter informações sobre a abertura de uma conta. Também Cristina Chaene, de 18 anos, natural do município da Chibia, província da Huíla, obteve, pela primeira vez, o seu Bilhete de Identidade e aproveitou a ocasião para actualizar os seus dados no Balcão Único de Atendimento ao Público (BUAP). A jovem disse estar muito feliz por passar a estar habilitada a exercer, pela primeira vez, o seu direito de voto nas Eleições Gerais de 2027. "Estou muito feliz. Tratei do BI há 15 dias e, como me foi garantido, recebi-o. Agora, sim, considero-me uma cidadã nacional e poderei votar nas próximas eleições", disse. Mil cidadãos beneficiadosA delegada provincial da Justiça e dos Direitos Humanos, Adalgiza Serafim, informou que a campanha de massificação do Registo Civil, em curso há 15 dias, beneficiou, até ao momento, cerca de mil cidadãos. Segundo a responsável, a campanha decorre actualmente em alguns municípios e será alargada, em breve, a toda a província. Manuela Mateus | Cabo Ledo




