A Carrinho pretende garantir que 100 por cento dos agricultores do sector familiar integrados na sua cadeia de valor tenham acesso à irrigação e à mecanização, como parte da estratégia para aumentar a produção e a produtividade agrícola no país.
A informação foi avançada, quinta-feira, em Luanda, pelo CEO da Carrinho Agri, David Maciel, à margem da realização da AgriTech Show Luanda, ao explicar que a empresa pretende criar condições para que os produtores consigam realizar entre dois e três ciclos de produção por ano.
David Maciel explicou que a mecanização defendida pela empresa não passa necessariamente pela entrega ou venda de tractores aos agricultores, mas pela prestação de serviços que assegurem o preparo das terras, sementeira, aplicação de fertilizantes, tratamentos, colheita e outras operações agrícolas.
Segundo o responsável, a Carrinho trabalha actualmente em nove províncias e actua como empresa de fomento, disponibilizando sementes, fertilizantes, pesticidas e outros meios necessários à actividade agrícola.
O apoio é estabelecido através de contratos de compra futura, nos quais o produtor assume o compromisso de pagar os recursos disponibilizados com parte da produção.
O modelo, acrescentou, permite igualmente criar um histórico de produção e de cumprimento dos compromissos assumidos pelo agricultor, elemento que pode facilitar o acesso ao financiamento bancário. “Estamos a ajudar o agricultor a criar um histórico. Recebeu os insumos, recebeu um apoio financeiro e pagou com a sua produção”, explicou David Maciel, acrescentando que a continuidade deste processo permite demonstrar às instituições financeiras a capacidade produtiva e de cumprimento do agricultor.
Empresas âncora sobre o conceito de empresa ou fazenda âncora, o CEO da Carrinho Agri esclareceu que se trata de uma unidade com capacidade de produção, mecanização, irrigação, armazenamento e conhecimento técnico, capaz de apoiar produtores localizados nas áreas circundantes.
A unidade pode prestar assistência na preparação das terras, disponibilizar insumos, apoiar a irrigação e a capacitação dos produtores, além de assegurar a compra da produção, contribuindo para a integração dos pequenos agricultores no mercado.
O dirigente referiu ainda que uma empresa âncora pode desempenhar um papel social nas comunidades, através do apoio à construção ou manutenção de escolas, postos médicos, abertura de estradas, instalação de furos de água e iniciativas de reflorestação.
Apesar de reconhecer a importância deste modelo, o responsável explicou que a estratégia da Carrinho pretende ir além do conceito tradicional de fazenda âncora, apostando na criação de condições para que o produtor alcance maior autonomia económica. “O nosso objectivo é fazer uma transformação social e económica muito diferente”, afirmou.
Financiamento e infra-estruturas entre os principais constrangimentos ao desenvolvimento da agricultura, David Maciel apontou o acesso ao financiamento, o seguro agrícola e as infra-estruturas, com destaque para a energia eléctrica, estradas secundárias e terciárias e sistemas de irrigação.
Defendeu, por isso, a criação de melhores condições para reduzir os custos de produção e de transporte, sobretudo nas zonas rurais, onde o estado das vias pode encarecer significativamente o escoamento da produção.
O responsável considerou igualmente importante o reforço do seguro agrícola, sobretudo para culturas dependentes da chuva. Na sua perspectiva, a protecção contra perdas provocadas pela irregularidade das chuvas pode contribuir para reduzir os riscos enfrentados pelos produtores.
A Carrinho pretende desenvolver um modelo de produtor com capacidade para diversificar a actividade e aumentar progressivamente o seu rendimento.
David Maciel descreveu o chamado “produtor-modelo” como aquele que consegue melhorar as condições da sua habitação, ter acesso ao financiamento, irrigação e mecanização, produzir hortícolas e cereais, criar gado bovino e leiteiro, desenvolver actividades de reflorestação e assegurar melhores condições de educação para os filhos. “Esse agricultor é um agricultor autossuficiente, que é o que nós queremos para o agricultor”, disse.
No âmbito das metas definidas pela empresa, está também o apoio aos produtores de maior escala para obterem capital destinado à instalação de sistemas de irrigação, aquisição de equipamentos e construção de silos.
Sobre a participação na AgriTech Show Luanda, David Maciel considerou o evento uma oportunidade para apresentar o modelo de produção e o pacote tecnológico utilizado pela Carrinho junto dos agricultores.
Segundo o gestor, a exposição permite mostrar as variedades agrícolas, tecnologias e conhecimentos disponibilizados aos produtores, bem como o funcionamento integrado das diferentes áreas do grupo.
A iniciativa permite ainda apresentar a articulação entre a Carrinho Agri, Carrinho Proteína, Carrinho Indústria, Carrinho Comércio e outras empresas ligadas ao grupo, evidenciando a aposta numa cadeia de valor integrada, desde a produção até ao mercado.




