Lubango - A elaboração da Carta Epidemiológica da província da Huíla, iniciada há cinco meses, atingiu 80 por cento do levantamento epidemiológico, no município da Humpata.
Lubango - A elaboração da Carta Epidemiológica da província da Huíla, iniciada há cinco meses, atingiu 80 por cento do levantamento epidemiológico, no município da Humpata.
O facto foi prestado, esta segunda-feira, à ANGOP, no Lubango, pelo coordenador do Centro de Investigação e Desenvolvimento da Educação (CIDE) do Instituto Superio de Educação(ISCED-Huíla), IVladi Pereira, ao realçar que o projecto, avaliado em 40 mil dólares norte-americanos, recebeu a primeira tranche de financiamento, correspondente a 25 por cento do valor total, que permitiu o arranque dos trabalhos de campo no mês de Março.
Afirmou que antes do início da recolha de dados, a equipa realizou encontros com o Governo da província da Huíla e o Gabinente Provincial da Saúde, para garantir apoio institucional e facilitar o acesso dos técnicos às unidades sanitárias dos municípios abrangidos.
Na sequência destes contactos, disse, foram emitidas credenciais para os técnicos envolvidos no projecto, enquanto as administrações municipais receberam orientações para apoiar a entrada das equipas nas unidades de saúde.
Segundo o coordenador, a Humpata foi escolhida para acolher a primeira fase do levantamento, numa perspectiva de estudo-piloto, pois o município conta com 15 unidades sanitárias e está prevista a inclusão de dois centros privados.
Referiu que fizeram um levantamento em torno de 80 por cento na Humpata e a equipa já concluiu a recolha da componente epidemiológica no principal hospital do município, onde são atendidos, entre 70 e 80 por cento dos utentes da região.
O estudo utiliza dois instrumentos de recolha de dados, dos quais um dedicado à componente sanitária e outro à epidemiológica, o primeiro avalia os serviços prestados pelas unidades, existência de internamento, número de médicos e enfermeiros, tratamentos disponíveis e funcionamento de laboratórios.
Já a componente epidemiológica, explicou, procura determinar o número de doentes atendidos, principais doenças e ocorrências, assim como a origem geográfica dos utentes, bem como o município, a comuna e o bairro, para identificar as zonas com maior incidência de determinadas patologias.
Vladi Pereira disse que a informação recolhida permitirá fazer uma análise referente a todo o ano de 2025, para identificar os períodos de maior ocorrência de doenças, como malária, a tuberculos e possíveis padrões epidemiológicos em determinadas regiões.
Referiu que a carta terá, igualmente, uma componente cartográfica, destinada a identificar as distâncias percorridas pelos utentes até às unidades sanitárias, bem como as zonas com défice de serviços de saúde ou que necessitem de reforço da capacidade instalada.
O coordenador considerou que este levantamento poderá constituir um importante instrumento de planeamento e permitir apoiar decisões sobre a construção ou reforço de unidades sanitárias, distribuição de profissionais, equipamentos e ambulâncias.
Após a conclusão da Humpata, a equipa prevê realizar um workshop com administradores municipais, técnicos e responsáveis da saúde dos municípios abrangidos, para apresentar a metodologia de intervenção e recolher sugestões destinadas a melhorar o processo de recolha.
A Cacula deverá ser o próximo município abrangido e seguir-se-á o Quilengues, para, no final desta primeira fase, o Lubango.
Posteriormente, estão previstos trabalhos nos municípios do Kuvango, Jamba e Caconda, totalizando sete municípios, que ao todo levará 16 meses para a sua elaboraçao e podera ser prorrogado para dois anos, caso seja necessário.
Vladi Pereira esclareceu que o financiamento disponível não permite uma cobertura integral da província, com a adopção de uma estratégia de amostragem. Paralelamente, está a ser preparada uma nova proposta para permitir, numa fase posterior, o levantamento em todos os municípios da Huíla.
Apontou entre os principais constrangimentos, as dificuldades logísticas, sobretudo a disponibilidade de viaturas, pois o CIDE dispõe actualmente de apenas uma viatura para apoiar quatro projectos, situação agravada pelas frequentes avarias e pelos custos de combustível e deslocação ao interior da província.
Adiantou que a primeira fase estava prevista para sete meses, mas poderá ser necessário prolongá-la por mais um ou dois, pois já se passaram quase cinco e apenas estão a fechar o primeiro município.
Apesar dos constrangimentos, Vladi Pereira considerou que o início permitiu consolidar os instrumentos e procedimentos de recolha, o que deverá facilitar a intervenção nos municípios seguintes.
A iniciativa pretende servir de instrumento técnico para apoiar a planificação e a tomada de decisões no sector da Saúde, através do levantamento das unidades sanitárias, serviços prestados e principais doenças nos municípios abrangidos.
A proposta foi submetida pelo ISCED-Huíla em 2019 e aprovada em 2024, no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (PDCT), com apoio do Banco Mundial.
No final, a Carta Sanitária e Epidemiológica deverá fornecer uma visão integrada da distribuição dos serviços de saúde e das principais ocorrências epidemiológicas na Huíla e constituir uma ferramenta de apoio à planificação e à tomada de decisões no sector da saúde. BP/ALH



