Caso russos: MP pede 18 anos de prisão para a dupla russa e de 10 a 15 anos para os dois angolanos, todos acusados de terrrorismo

Além de pedir a condenação dos quatro arguidos, o Ministério Público requereu ainda a expulsão do território nacional dos cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov, após o cumprimento das respectivas penas de prisão efectiva.
Quanto ao jornalista Amor Carlos Tomé, da Televisão Pública de Angola (TPA), e ao político Francisco Oliveira, secretário para a Mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, o MP sustenta que ambos participaram nas alegadas intenções criminosas dos dois cidadãos russos, e, por isso, pede igualmente a sua condenação.
Para o arguido Amor Carlos Tomé, o MP pede uma pena de 15 anos de prisão e 100 dias de multa. Para o arguido Francisco Oliveira, conhecido por "Buka Tanda", o Ministério Público pede a condenação a uma pena de 10 anos de prisão e 60 dias de multa.
Segundo o Ministério Público, "ficou suficientemente demonstrado que os arguidos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov pertenciam a uma organização terrorista internacional que pretendia colocar o partido UNITA no poder nas próximas eleições gerais de 2027".
De acordo com o MP, o objectivo dos cidadãos russos era criar um clima de instabilidade em Angola.
O Ministério Público sustenta que Igor Ratchin e Lev Lakshtanov eram os líderes do grupo, que pretendiam conduzir a UNITA ao poder e que foram os principais influenciadores da greve dos taxistas, que desencadeou protestos violentos e resultou em 29 mortes, em Julho do ano passado.
A acusação refere ainda que os dois cidadãos russos financiaram actividades terroristas através da internet, tendo despendido, para o efeito, mais de 150 mil dólares.
Quanto à versão apresentada pelos arguidos, segundo a qual a intenção era apenas abrir uma casa de cultura em Angola, o Ministério Público considera esse argumento falso.
Entretanto, os advogados de defesa refutaram as alegações do MP, considerando que a acusação carece de fundamentos e classificando-a como "infantil".
Para os causídicos, "é vergonhoso ouvir da acusação que os arguidos são terroristas e que financiaram actividades terroristas em Angola".
Os advogados pediram ao tribunal que não leve em consideração os argumentos apresentados pelo Ministério Público e que absolva os arguidos, por entenderem que nada ficou provado.
Os cidadãos russos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, segundo as autoridades angolanas, estão ligados a organizações internacionais de financiamento ao terrorismo.
O Ministério Público acusa-os ainda de estarem a preparar um golpe de Estado em Angola e de pretenderem capturar activos económicos nacionais em troca do apoio a forças da oposição.
Os quatro arguidos foram detidos em Agosto do ano passado, em Luanda, na sequência da greve organizada no final de Julho pelos taxistas, em protesto contra a subida do preço dos combustíveis e o aumento das tarifas dos transportes públicos, manifestação que acabou por resultar em actos de vandalismo.



