Políticos, juristas, empresários, estudantes e outros representantes da sociedade na Lunda-Sul, em Cabinda, no Bié, na Huíla, Bengo, Cunene, Cuanza-Norte e Namibe esperam que o Presidente da República, João Lourenço, apresente medidas concretas para responder aos desafios económicos e sociais do país. As expectativas incluem a realização das eleições autárquicas, a conclusão de projectos estruturantes, a criação de empregos, a segurança rodoviária e a redução das desigualdades entre as zonas urbanas e rurais.
Lunda-Sul defende autarquias
Em Saurimo, capital da província da Lunda-Sul, políticos, juristas, académicos e jovens empreendedores esperam que o Discurso sobre o Estado da Nação apresente um balanço das realizações do mandato presidencial e indique medidas capazes de responder aos desafios que persistem no país.
O secretário provincial do PRA-JA Servir Angola, Fernando Mutombo, defende uma mensagem congregadora, cujas orientações se traduzam em resultados concretos para a população. O político reconhece os avanços registados nos sectores da Educação e da Saúde ao longo dos 50 anos de Independência Nacional, mas considera importante olhar também para os problemas ainda por resolver.
O jurista Ekovongo Bonga destaca a necessidade de medidas destinadas a estabilizar o Kwanza e melhorar as condições económicas. No domínio político, defende a realização das primeiras eleições autárquicas, por considerar importante a escolha de representantes e a constituição dos órgãos do poder local.
Por sua vez, o jovem empreendedor Carlos Chimuangui considera necessário reforçar a captação de investimento privado capaz de criar empregos e absorver mão-de-obra, sobretudo juvenil.
O interlocutor defende igualmente a formação de quadros para assegurar o funcionamento das infra-estruturas construídas e maior investimento nos sectores da Energia e das Águas, com vista a melhorar as condições de vida e reduzir a dependência de grupos geradores.
Os estudantes Celso Fortunato e Helena Irlanda defendem, por seu turno, o reforço da qualidade do ensino, da formação técnico-profissional e do combate à corrupção.
Cabinda pede prazos para projectos estruturantes
Na província de Cabinda, as expectativas estão particularmente relacionadas com a execução de projectos estruturantes, a melhoria dos transportes e o reforço da capacidade produtiva local.
O advogado e gestor escolar Rafael Mossi considera importante que o pronunciamento presidencial apresente prazos para a conclusão dos projectos em curso, sobretudo no sector dos Transportes.
Defende igualmente o fomento da produção nacional, com destaque para a agricultura, a pecuária e a pesca.
O economista Henrique Bitebe espera que o Presidente da República esclareça as estratégias para a estabilização macroeconómica, a redução da dívida pública e o controlo da inflação. O especialista considera igualmente necessário apresentar resultados concretos dos programas de diversificação económica, com destaque para o PRODESI e o Plano Nacional de Fomento Industrial.
No domínio energético, o administrador municipal de Cacongo, Armando do Carmo, destaca a ligação eléctrica entre o Zaire e Cabinda, através de cabos submarinos, como um dos projectos cuja evolução considera importante acompanhar.
O responsável municipal aponta ainda a reparação da Estrada Nacional n.º 200, que liga a cidade de Cabinda ao município de Belize, entre as intervenções relevantes para melhorar a circulação de pessoas e bens.
Já o administrador de Miconje, Francisco Vanny, considera que a posição geográfica da província e o seu contributo para a economia nacional justificam uma atenção particular aos projectos em curso.
Bengo pede redução das desigualdades territoriais
Na província do Bengo, os cidadãos esperam que o Discurso sobre o Estado da Nação apresente soluções para os desafios económicos e sociais, com particular atenção ao acesso à água potável, à energia eléctrica, à educação, à saúde e às infra-estruturas rodoviárias.
Siomara Fragoso, funcionária da Provedoria de Justiça no Bengo, considera necessário reforçar a qualidade dos serviços públicos, através de propostas para os sectores da Educação e da Saúde e da capacitação permanente dos profissionais.
A cidadã defende igualmente a criação de condições favoráveis ao investimento privado, de modo a incentivar os empresários a criarem postos de trabalho e reduzir a dependência do Estado como principal empregador.
Por sua vez, Divaldo Manoxe, chefe da Secção de Inspecção das Actividades Económicas e Segurança Alimentar da Administração Municipal do Quibaxe, considera importante que a mensagem presidencial coloque as pessoas no centro das prioridades nacionais.
O responsável destaca a construção e reabilitação de estradas como medidas necessárias para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e dinamizar a actividade económica na província.
Bié espera por medidas para melhorar diversos sectores
Na província do Bié, os secretários provinciais do PRA-JA Servir Angola, do Partido de Renovação Social (PRS) e do Partido Humanista de Angola (PHA) esperam que o Discurso sobre o Estado da Nação apresente um balanço da situação do país e indique as prioridades para o último ano do actual ciclo de governação.
O secretário provincial do PRA-JA Servir Angola, Ernesto Sozinho, considera que o pronunciamento presidencial deve apontar caminhos concretos para o desenvolvimento nacional e para a melhoria das condições de vida das famílias.
O responsável defende que as orientações anunciadas se traduzam em acções capazes de produzir resultados visíveis nos diferentes sectores da sociedade.
Por sua vez, o secretário provincial do PRS, António Armando, destaca a necessidade de políticas económicas que promovam o crescimento, criem oportunidades de emprego e reforcem o poder de compra dos cidadãos.
Para o dirigente, o crescimento económico deve produzir efeitos directos no quotidiano das famílias, sobretudo na capacidade de satisfazer as despesas essenciais e melhorar as perspectivas de vida da população.
Já o secretário provincial do Partido Humanista de Angola, João Custódio, defende que as questões sociais ocupem um lugar central nas prioridades do Executivo, com atenção à educação, à saúde, ao emprego e às famílias em situação de vulnerabilidade.
Os três responsáveis partidários convergem na expectativa de que o discurso presidencial apresente orientações capazes de responder aos desafios económicos e sociais, com medidas orientadas para as necessidades concretas da população.
Huíla destaca emprego juvenil e segurança
Na província da Huíla, os cidadãos ouvidos pelo Jornal de Angola aspiram a que o pronunciamento presidencial vá além da apresentação das realizações do Executivo, com respostas aos problemas que afectam o quotidiano das famílias.
A finalista do curso de Direito da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, Delfina Caiango, considera que a mensagem constitui uma oportunidade para avaliar os avanços e reconhecer os desafios que persistem nos sectores da Economia, Saúde, Educação e Política Social.
À luz do artigo 118.º da Constituição da República de Angola, a estudante espera um pronunciamento realista, acompanhado de medidas para melhorar as condições de vida, reforçar a transparência na gestão dos recursos públicos e consolidar o Estado de Direito.
O jovem Aécio Ananás destaca o desemprego entre os recém-formados e defende novas iniciativas para facilitar o acesso ao primeiro emprego. Considera igualmente necessário que a prestação de contas inclua uma apreciação transparente das metas não alcançadas e das medidas previstas para corrigir as insuficiências.
O estudante defende ainda que o combate à corrupção respeite as garantias processuais, a presunção de inocência, o direito de defesa e o princípio da igualdade perante a lei.
A segurança rodoviária constitui outra preocupação apresentada na província. A escritora, professora e empreendedora Soraia Mendes Pakissi chama a atenção para os acidentes envolvendo transportes colectivos de passageiros e defende o reforço da prevenção, fiscalização, inspecção e responsabilização.
A interlocutora considera que as deslocações entre províncias não devem representar um risco para as famílias, alertando para a perda de vidas humanas e os danos provocados pelos acidentes.




