Continuam as denúncias de cidadãos que recorrem aos serviços de registo civil e criminal no município de Viana, em Luanda, contra a actuação dos chamados “mixeiros”, apontados como intermediários que dificultam o acesso aos serviços públicos.
Os utentes ouvidos pelo Correio da Kianda afirmam que a prática é recorrente junto de instituições de registo e que, em alguns casos, afecta até cidadãos que chegam ao local nas primeiras horas da madrugada para garantir um lugar na fila.
Segundo os denunciantes, mesmo chegando de madrugada, encontram listas previamente preenchidas com nomes de pessoas que não estavam presentes no momento da abertura das filas.
Entre os serviços mais procurados estão a emissão do Bilhete de Identidade, o Registo Criminal e outros documentos pessoais, precisamente onde, segundo os utentes, a presença dos intermediários é mais visível.
“Estamos cansados. A pessoa pode até chegar aqui às três horas da madrugada, mas acaba por encontrar uma lista com mais de 20 pessoas. Isso leva-nos a perguntar: de onde saem estes nomes, se, quando aqui chegamos, não encontramos ninguém?”, questionou Jorge do Rosário, em entrevista ao Correio da Kianda.
Os cidadãos defendem maior fiscalização nas instituições e medidas que garantam que o atendimento seja feito por ordem de chegada, sem a intervenção de intermediários.
Perante as denúncias, a Administração Municipal de Viana reconhece a existência do fenómeno e promete reforçar as medidas para travar a actuação dos chamados “mixeiros” junto das instituições públicas.
Em declarações à Rádio Viana, o director municipal dos Registos e Modernização Administrativa, Domingos Rodrigues Pepedox, garantiu que a administração está a trabalhar para pôr fim à prática.
O responsável assegurou igualmente que estão a ser adoptadas medidas para melhorar o atendimento e garantir que os cidadãos tenham acesso directo aos serviços de registo, sem necessidade de recorrer a intermediários.
A Administração Municipal de Viana pretende, deste modo, reforçar o controlo nos postos de atendimento e melhorar a organização dos serviços, numa altura em que as denúncias sobre a actuação dos “mixeiros” continuam a gerar insatisfação entre os utentes.



