A antiga “Belmonte”, do coração central de todo o território angolano, que, actualmente, é o Cuíto, capital política e administrativa da província do Bié, completou, hoje, 91 anos desde a sua elevação à categoria de cidade, com um crescimento acentuado em termos de infra-estruturas sociais.
De acordo com diversos historiadores, o Cuíto, com base num passado recente, é o paradigma acabado e perene da guerra em Angola. Segundo os especialistas, nenhum outro lugar sofreu tanto durante o conflito civil, depois das eleições de 1992.
Com obras estruturantes em curso, a administradora municipal do Cuíto, Ângela Chicomo, afirmou que o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) tem sido,entre outras, uma das acções mais impactantes tomadas pelo Executivo, por meio do Governo local.
Para a administradora, o balanço é positivo pelo facto de todas as metas do PIIM terem sido cumpridas. Os sectores da Educação e Saúde, disse, são os principais baluartes no esteio do desenvolvimento. “Fizemos um grande investimento na construção de escolas e na oferta de mais salas de aula”, avançou, além de referir que, a nível da Saúde, o destaque é o Hospital Municipal do Cunje.
O único projecto em atraso, contou, mas que deve estar concluído até ao final do ano em curso, é a reabilitação do Hospital Provincial do Bié. Segundo a administradora, a unidade sanitária, que nunca foi reabilitada desde a sua edificação, deverá ser entregue à sociedade com novos serviços modernos.
Reconhecimento
O activista social José Carlos reconheceu o crescimento da cidade, sobretudo na zona Leste, onde surgem, hoje, universidades, projectos habitacionais e hospitais. “Hoje, a cidade do Cuíto cresceu exponencialmente. É um processo inevitável. Os projectos sociais têm beneficiado grandemente a população”, admitiu.
“Do centro da cidade para a zona Norte tem se verificado uma forte assimetria em relação às acções de investimento. É preciso que o desenvolvimento chegue de forma igualitária a todas as regiões do município do Cuíto”, salientou.
História
Fundada, inicialmente, como um pequeno povoado chamado Belmonte, passou, anos depois, a chamar-se Silva Porto, passando do estatuto de vila à categoria de cidade, em 1935. Com a chegada da independência de Angola, em 1975, a cidade passou a adoptar o nome original e geográfico de Cuíto.
Em 1993, a guerra transformou a cidade numa imensidão de escombros, tornando-a numa cidade fantasma e sem esperança de recuperação e crescimento. O cenário foi mudado pelo antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que, em 1995, durante uma visita de trabalho realizada à cidade, para constatar os transtornos causados pela guerra, desafiou a população local a trabalhar, juntamente com o Governo, para voltar a dar vida à “Cidade Invicta”.




