A CIVICOP conta com a colaboração da família de Sebastião Dembo, antigo vice-presidente da UNITA, para o processo de identificação dos seus restos mortais, segundo o presidente da Fundação 27 de Maio, general Silva Mateus.
A informação foi avançada esta quarta-feira, 30, em Luanda, durante um certame promovido pela Academia de Conhecimento. Silva Mateus, que também integra a CIVICOP, afirmou que já houve contacto com a família e que um dos filhos do antigo dirigente está disponível para fornecer uma amostra de ADN.
Segundo o general, o material genético da família será utilizado para o cruzamento com eventuais perfis biológicos que venham a ser obtidos durante as operações de localização e identificação dos restos mortais.
A participação dos familiares é uma das etapas consideradas fundamentais pela CIVICOP para confirmar a identidade das vítimas dos conflitos políticos. A comissão tem apelado às famílias para fornecerem amostras biológicas, permitindo a comparação com os perfis obtidos a partir dos restos mortais.
Silva Mateus garantiu que, depois da localização e confirmação da identidade de Sebastião Dembo, será assegurado um funeral condigno ao antigo dirigente da UNITA, à semelhança do que aconteceu com outras figuras envolvidas no processo de reconciliação nacional.
O processo de identificação dos restos mortais decorre num quadro mais amplo das acções da CIVICOP. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos indicam que, até 15 de Setembro, tinham sido exumados 3.104 restos mortais em diferentes pontos do país, estando em curso o cruzamento de perfis de ADN com amostras fornecidas pelos familiares.
Durante o encontro, o especialista em resolução de conflitos Luís Jimbo chamou atenção para as dificuldades na identificação de algumas vítimas, sobretudo entre os casos relacionados com o 27 de Maio de 1977.
Segundo o analista, muitas das vítimas eram muito jovens à data dos acontecimentos e não chegaram a constituir família ou a deixar filhos. Em outros casos, os pais das vítimas, que poderiam fornecer informações ou material para comparação, já morreram devido ao tempo decorrido.
Luís Jimbo considera que esta realidade contribui para a existência de perfis de vítimas ainda por identificar, quase cinco décadas depois dos conflitos políticos.
A CIVICOP tem desenvolvido trabalhos de localização, exumação e identificação de restos mortais, procurando posteriormente assegurar a sua entrega às respectivas famílias para a realização de funerais condignos. Em Junho, a comissão voltou a apelar à participação das famílias na campanha de identificação.
No caso de Sebastião Dembo, a colaboração anunciada pela família poderá permitir avançar no processo de confirmação da identidade, caso sejam localizados restos mortais cuja correspondência genética possa ser estabelecida.




