A Comissão de Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) iniciou, esta semana, no Moxico, a retirada de restos mortais de pessoas que morreram durante a violência política registada no país em 1993.
Os trabalhos decorreram na cidade do Luena e foram acompanhados pelo governador do Moxico, Ernesto Muangala, autoridades tradicionais e representantes de diferentes igrejas.
A operação foi coordenada pela subcomissão técnica da CIVICOP, liderada pelo general Fernando Garcia Miala, e tem como principal objectivo recuperar, identificar e posteriormente entregar às famílias os restos mortais das vítimas.
Segundo a comissão, os confrontos entre militares da UNITA e do MPLA, que se seguiram às eleições gerais de 1992, provocaram dezenas de mortes no Moxico. Entre as vítimas estavam civis, políticos, militares e efectivos da Polícia e das Forças Armadas Angolanas.
Na altura, os corpos foram colocados numa vala comum nos arredores da cidade do Luena, onde permaneceram durante mais de três décadas.
Durante a retirada dos restos mortais, a equipa técnica encontrou alguns objectos que poderão ajudar a descobrir a identidade das vítimas. Entre o material recolhido estão pulseiras, documentos de identificação e peças de fardamento militar.
A equipa encontrou restos mortais de homens e mulheres e acredita que entre as vítimas estejam militares da UNITA, do MPLA, efectivos da Polícia e das FAA.
Um dos corpos chegou a ser reconhecido no local por um jovem da região, que afirmou ter conhecido a vítima e outro militar que também terá sido enterrado na mesma vala.
Para confirmar as identidades, familiares de pessoas que poderão estar entre os mortos já entregaram amostras de sangue à CIVICOP. Os testes de DNA deverão ajudar a confirmar a ligação entre os restos mortais encontrados e as famílias.
O governador do Moxico, Ernesto Muangala, acompanhou os trabalhos e considerou o processo importante para ajudar o país a ultrapassar as feridas provocadas pelos conflitos políticos.
Durante a cerimónia, o governador defendeu a necessidade de olhar para o futuro e construir uma Angola melhor para as novas gerações.
A CIVICOP considera que o trabalho realizado no Moxico mostra que a violência política ocorrida depois das eleições de 1992 não atingiu apenas Luanda, mas também outras regiões do país.
A recolha e identificação dos restos mortais deverá continuar nos próximos dias. Depois da confirmação das identidades, a comissão prevê que os restos mortais sejam entregues às respectivas famílias para uma sepultura condigna.
O processo faz parte dos esforços de reconciliação nacional e de recuperação da memória das pessoas que morreram durante os diferentes períodos de conflito político em Angola.




