Clamor das vítimas das cheias mobiliza campanha nacional de solidariedade

Arranca esta terça-feira, 14, em Luanda, a campanha de recolha de donativos “Abraço Solidário Benguela”, iniciativa nacional de apoio às populações afectadas pelas inundações na província de Benguela, onde milhares de famílias continuam em situação de vulnerabilidade.
A campanha decorre até sábado e pretende mobilizar bens essenciais como alimentos, água potável, roupas, medicamentos e outros produtos de primeira necessidade, numa resposta de emergência ao impacto das cheias que provocaram desalojamentos e destruição de infra-estruturas.
A iniciativa é promovida pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, em parceria com empresas públicas do sector, no quadro de uma acção coordenada de apoio humanitário.
Os donativos poderão ser entregues no Centro de Produção da TPA, no Campo Manuel Berenguel da Rádio Nacional de Angola e na Rádio Viana, pontos definidos para a recolha e organização da ajuda.
A campanha surge num momento em que a situação humanitária na província se agrava. Famílias sinistradas, concentradas em centros de acolhimento, têm denunciado escassez de alimentos e condições difíceis de sobrevivência, dependendo quase exclusivamente de assistência externa.
No município do Caimbambo, a situação é ainda mais crítica devido ao desabamento de uma ponte, que está a condicionar a evacuação de pacientes e a circulação de bens essenciais.
A administradora municipal, Miraldina Morgado, confirmou as dificuldades no terreno e alertou para sinais de escassez alimentar em várias localidades.
Já o governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, classificou o cenário como preocupante e garantiu que estão em curso acções de emergência para apoiar as populações e restabelecer condições mínimas de normalidade.
Por sua vez, o engenheiro hidráulico e sanitário Francisco Lopes defende que a repetição deste tipo de fenómenos exige uma resposta estrutural, apontando falhas nos sistemas de drenagem e no planeamento urbano. O especialista propõe uma “revolução sanitária” como solução de longo prazo.
A campanha “Abraço Solidário Benguela” surge assim como resposta imediata à crise, num esforço conjunto de mobilização nacional para aliviar o sofrimento das populações afectadas pelas cheias.


