Os clientes particulares e instituições públicas da província do Moxico devem mais de 300 milhões de kwanzas à Empresa Pública de Águas e Saneamento (EPAS), segundo revelou, no Luena, o presidente do Conselho de Administração.
Em declarações ao Jornal de Angola, Eurico Jorge, disse que, devido à dívida acentuada, os 76 trabalhadores da EPAS-Moxico não recebem os seus subsídios do 13.º mês de 2023, 2024, e 205, bem como os salários de Julho, Agosto e Setembro deste ano.
O PCA da EPS-Moxico reconheceu que a falta de cultura de pagamento por parte dos clientes, tem sido a principal dor de cabeça para o cumprimento do pagamento dos ordenados dos trabalhadores em atraso que rondam os 130 milhões de Kwanzas.
Para inverter o actual cenário, a EPAS-Moxico está a implementar com apoio do Ministério de Energia e Águas e de uma empresa de gestão contratada, medidas de instalação de contadores pré-pagos, recadastramento de clientes, campanhas massivas de cortes por falta de pagamento, redução do valor do contrato de 11 mil kwanzas para 4 mil em campanhas promocionais.
O presidente do Conselho de Administração, Eurico Jorge, garantiu que a EPAS-Moxico já reportou a situação à Direcção Nacional das Águas e ao Governo Provincial para reverter o quadro, enquanto tenta obter um crédito bancário para pagar os salários e os subsídios em atraso dos trabalhadores.
Apesar de reconhecer a legitimidade da greve, consagrada na Constituição, o Conselho de Administração apela ao bom senso, lembrando que o abastecimento de água é um serviço essencial. “Estamos solidários e entendemos que é difícil ficar sem salário. Mas, pedimos aos colegas que não paralisem o sistema, porque isso afecta toda a população e a greve deve reger-se por princípios e não pode privar os cidadãos de consumirem a água potável”, referiu.
Em nome dos trabalhadores, a Fiscal Alice Camudongue disse que o assunto é preocupante, pelo facto de não existirem condições para os funcionários continuarem a exercer as suas actividades. “Não salário, o que fica difícil satisfazer as nossas necessidades, pagar as propinas dos filhos e pagar as rendas de casa, bem como adquirir alimentação”, explicou.




