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Os sinais de que o fenómeno climático que está a assustar os meteorologistas em todo o mundo já está entre nós começam a ser impossíveis de ignorar, e alguns deles já deixaram a sua marca trágica.
O mais impactante foi o colapso do glaciar milenar nos Himalaias que matou milhares de pessoas no Nepal e na China a 26 de Agosto, mas há outros, menos ruidosos, como as secas que se intensificam e alongam no tempo, como está já a suceder na África Austral.
Os as chuvas que começam a mostrar indícios de intensidade anormal para esta época do ano, afectando tanto o distante oriente asiático como as regiões tropicais da América Latina e do Norte, ou África, com secas extremas a sul e mais chuva no Corno continental.
E tudo porque, como mostram estudos feitos pelas organizações das Nações Unidas dedicadas a este problema, como a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a causa secundária é o aquecimento do Pacífico, mas a primária são os diferentes tipos de poluição, especialmente a emissão de gases com efeito de estufa.
É o aquecimento das águas do Oceano Pacífico que alteram as correntes marítimas, mudando os ciclos dos ventos e das chuvas, prolongando e intensificando secas ou provocando cheias abruptas e incontroláveis.
O que deixa a Humanidade perante a questão fundamental para a sua própria sobrevivência, como tem alertado o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que é ou elimina já a poluição fóssil ou o abismo existencial está ao virar da equina do tempo.
Para já, os dados conhecidos apontam para o pior cenário, porque o objectivo de impedir que o Planeta Terra aqueça Mais de 1,5 graus neste século começa a parecer uma miragem.
E isso porque os passos que deveriam estar a ser dados foram literalmente esquecidos por países que são fundamentais para que este "plano" tenha sucesso, como é o caso dos EUA sob a Administração Trump, onde pontificam os chamados negacionistas climáticos.
E no entanto, os EUA estão numa das geografias mais afectadas por este Super El Niño, como, de resto, tem sido assim com as versões menos ruidosas destas "criança" irrequieta, tendo já a Agência para os Oceanos e a Atmosfera (NOAA) avançado que este fenómeno vai incidir fortemente no país, provocando cheias a sul e secas extremas no nordeste.
Segundo os dados tanto da OMM como da NOAA, este Super El Niño vai prolongar-se para o final de Março de 2027 ou além disso, e está ainda a dar os primeiros passos, embora já com um registo catastrófico, estando a ser admitido como quase incontornável que se transforme num dos mais violentos de sempre.
Segundo alguns especialistas, embora com um grão de drama desadequado, de acordo com outros, esta alteração comportamental do clima global vai atingir níveis semelhantes ao que ocorreu em 1877-78, quando morreram mais de 50 milhões de pessoas, a maior parte devido à fome após a devastação de colheitas, pelas secas ou devido a chuvas torrenciais.
Há, contudo, uma diferença substancial: este Super El Niño não aparece sem ser notado com grande antecedência, a Humanidade possui formas de socorrer as populações afectadas como nunca aconteceu e as previsões de muito curto prazo podem salvar vidas como nunca...
E ainda bem, porque as melhores previsões conhecidas apontam para que este fenómeno ganhe dimensões extraordinárias quase de certeza, com a norte-americana NOAA a apontar para 90% de probabilidades.
E algumas informações apontam para que os países das regiões que vão, previsivelmente, ser mais afectadas, já estejam no terreno a procurar antecipar o pior, seja com a criação de armazenamento de água no mapa das secas, como o sul de Angola, e de limpeza de cursos de água ou infra-estruturas de retenção de cheias.
Segundo a ONU, através da OMM, e outras organizações, este Super El Niño deu os primeiros sinasi de estar a começar a andar já em Junho deste ano de 2026, desde logo com o aumento anormal das águas superficiais do Pacífico.
E os dados apontam para, ainda de acordo com estas duas organizações, chuvas anormalmente intensas na África Oriental, América Latina e sul dos EUA, secas especialmente severas na África Austral, sul e sudoeste da Ásia, Austrália ou ainda, embora menos evidente, no correr mediterrânico da Europa e do norte de África.
Um dado inquietante, porque tem tudo para impactar fortemente na agricultura planetária, é que a subida de temperatura deverá suceder nos cinco continentes, nalguns casos de forma a provocar quedas substantivas nas colheitas.
No que diz respeito ao continente africano, até ao final de 2026, países como o Quénia, Etiópia ou Somália, deverão experienciar períodos anormais de chuvas intensas, superando até 70% o valor normal para esta época, sendo de esperar inundações recorrentes.
Já na parte austral do continente, o "boletim meteorológico" aponta para uma redução substantiva da chuva, secas intensas que vão afectar quase todo o mapa desta sub-região, desde a África do Sul ao sul de Angola, com menos chuva e mais calor...
Estes dados são parte das razões pelas quais o Programa Alimentar Mundial (PAM), da ONU, estima que até 50 milhões de pessoas sejam colocadas em situações de fome, cuja gravidade pode atingir o grau de severa, ao longo de 2027.
Neste mapa das preocupações do PAM emergem em destaque o continente africano e a América Latina, especialmente pela forma como este "Niño" vai pisar intensamente as culturas de arroz, milho e outras culturas que nestas regiões dependem da chuva para crescerem.
As agências da ONU, em geral, estão a alertar, inclusive através de corredores fora do olhar dos media, para a urgência de os Governos dos países mais expostos criarem mecanismos de resposta de emergência para evitar repercussões catastróficas da passagem d'ElNiño pela páteo da Humanidade ao longo dos próximos meses, numa correria que pode ir além de Maio de 2027.



