Ondjiva - O secretário executivo da Comissão Diocesana de Justiça e Paz do Cunene, Xavier Kaulinawa, apelou esta segunda-feira, as famílias locais, no sentido de velarem pela promoção, defesa e protecção dos direitos humanos.
Ondjiva - O secretário executivo da Comissão Diocesana de Justiça e Paz do Cunene, Xavier Kaulinawa, apelou esta segunda-feira, as famílias locais, no sentido de velarem pela promoção, defesa e protecção dos direitos humanos.
Em declaração à ANGOP, por ocasião do Dia Mundial das Vítimas do Desaparecimento Forçado (30 de Agosto), disse que a data reflecte sobre o cenário do tráfico de menores oriundo de diferentes comunidades rurais para trabalho na República da Namíbia.
Sem precisar dados, realçou o elevado números de crianças, adolescentes e jovens que atravessam a fronteira em busca de trabalho nas fazendas agropecuárias, situação que pode ser aproveitada por malfeitores para a prática de tráfico.
Considerou a situação de “preocupante”, porque os menores muitas vezes são expostos ao trabalho forçado, sem que no entanto às famílias tenham o domínio do seu paradeiro.
Sublinhou que o desaparecimento forçado é um crime de coação moral ou física, na qual o cidadão sai do seu lugar de conforto para fins inconfessos, colocando em risco a dignidade da pessoa humana e dos seus direitos.
Neste sentido, realçou a necessidade das famílias reflectir sobre a falta de responsabilidade e do exercício do poder paternal, pois não é concebível colocar os filhos como garante do sustento.
Disse que às famílias estão a perder o poder paternal, facto que requer o redobrar das acções de sensibilização sobre o resgate dos valores perdidos, onde os progenitores são considerados provedores da educação, sustento, protecção e carinho.
Neste sentido, referiu que a Comissão Diocesana está a trabalhar desde 2025 na educação e consciencialização de três mil 644 pessoas das comunidades rurais, sendo duas mil e 237 mulheres e mil 407 homens.
Trata-se de membros das comunidades rurais dos municípios do Cuanhama, Namacunde, Chiedi, Chissuata, Cuvelai, Cafima, Mupa, Curoca, Chitado e Nehone.
Xavier Kaulinawa enfatizou que o desenvolvimento das comunidades não depende exclusivamente do Governo, mas das próprias comunidades que devem velar pela educação, inserção da criança na escola e formação dos jovens.
O responsável salientou que o Estado tem feito o seu papel em disponibilizar meios e infra-estruturas como escolas, centros de formação e outros programas de integração das famílias, que devem ser aproveitados.
O Dia Mundial das Vítimas do Desaparecimento Forçado foi instituído em Dezembro de 2010, através da resolução 65/209 da Assembleia Geral das Nações Unidas.
A data visa consciencializar a sociedade e os governos sobre o desaparecimento forçado de pessoas, considerado pelo direito internacional como crime grave e, quando cometido de forma sistemática, é um crime contra humanidade.FI/LHE/DP




