“Comunicação assertiva da CIVICOP pode atrair mais famílias das vítimas de conflitos armados”, diz especialista

A Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos, CIVICOP, só vai conseguir maior número de famílias das vítimas de conflitos, se investir mais numa comunicação assertiva junto das famílias. A avaliação é do especialista Adálio Pereira, que falava nesta terça-feira à Rádio Correio da Kianda.
Para Adálio Pereira, o trabalho da CIVICOP está travado pela fraca procura de familiares. O problema é maior nos casos de ossadas do sexo feminino encontradas, onde a comissão tem menos material genético de referência para cruzar com os testes de ADN.
“Os testes das ossadas só podem ser feitos com recolhas de pessoas vivas. Isto implica dizer que o projecto da CIVICOP não pode prosseguir sem a colaboração estreita das famílias”, esclareceu o especialista.
Na visão de Adálio, a saída está em mudar a estratégia. Em vez de comunicação genérica, a CIVICOP deve adoptar um discurso directo e focado, informar que as ossadas encontradas são femininas e apelar especificamente às famílias que perderam mulheres nos conflitos políticos.
“O ideal seria a própria CIVICOP adoptar uma estratégia de comunicação mais assertiva, mais focada no apelo às famílias. Esclarecer que os corpos encontrados são do sexo feminino e, por causa disso, pedir a máxima colaboração das famílias que eventualmente tenham tido vítimas ou entes queridos desaparecidos naquele contexto”, defendeu.
Para o especialista, divulgar melhor esse diagnóstico é o caminho para motivar quem perdeu familiares a procurar a CIVICOP. Só assim os testes genéticos poderão trazer resultados compatíveis e dar nome às ossadas.


