Conflito que existe entre etnias no Namibe pode ser mitigado com medidas estruturantes, defende analista

O especialista em Desenvolvimento Local considera que o conflito que existe entre duas etnias no Namibe, pode ser mitigado com medidas estruturantes e não estruturantes, passando por se buscar mobilização das comunidades em que o ponto de partida das zonas dos transumantes tem um destino.
Para este efeito, Silvano Levi disse que o destino neste caso, se enquadra nas zonas das Cacimbas, Quilengues e Camucoio.
O especialista disse ainda ser necessário o enquadramento de mais pontos de abeberamento e pastagens georreferenciados, e depois fazer-se um bioindicador para que o enquadramento do uso e aproveitamento seja abrangente do ponto de vista em que a mobilização das comunidades das autoridades tradicionais venha enfatizar a partilha destes recursos.
O académico Gaspar Muanda disse que o conflito no Namibe a esta altura, tem a ver com o problema da seca que assola o sul do país.
Para o especialista, a procura por zonas que apresentem melhor pastagem por parte dos povos que são nómadas ou seminómades que se estabelecem em zonas já habitadas por outros povos, estão na base igualmente dos conflitos.
Já o padre Pio Hakussanga disse que o problema vivenciado neste momento no Namibe não é novo, e que o conflito só surge novamente porque há escassez de recursos.
O também presidente da Associação Construindo Comunidades disse por outro lado que por ser um problema antigo devia ter sido feito um estudo.
O prelado católico frisa igualmente que o Plano de Desenvolvimento não contempla as minorias, e lamenta a falta daquilo a que chamou de um plano sério de desenvolvimento do interior.
As declarações dos especialistas foram feitas esta quarta-feira, 20, no espaço “Tem a Palavra” do programa Capital central da Rádio Correio da Kianda que debateu sobre a “crise interétnica no Namibe após denúncias de abandono de casas “.


