Especialistas nacionais e internacionais estão reunidos, desde ontem, em Luanda, para discutir avanços no diagnóstico, tratamento e investigação das doenças hematológicas, bem como reforçar a cooperação científica entre países lusófonos.
O 2.º Congresso Nacional de Hematologia e Imunoterapia e, simultaneamente, a 3.ª Conferência Internacional da Associação Lusófona de Especialistas em Doença Falciforme (ALUA) decorrem até amanhã, sob o lema “Excelência em Hematologia e Hemoterapia: Segurança, Qualidade e Tecnologia”.
Na cerimónia de abertura, o secretário de Estado para Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, destacou a importância da realização de encontros do género para o fortalecimento da cooperação científica entre Angola e outros países lusófonos, permitindo a troca de experiências, investigação científica e a melhoria da qualidade dos serviços de saúde.
O responsável destacou, igualmente, que os avanços na medicina não devem ser avaliados apenas pela inovação científica, mas também pelo impacto que produzem na vida dos doentes.
Leonardo Inocêncio defendeu a necessidade de reforçar o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular dos pacientes, a educação das famílias e dos próprios doentes, bem como o tratamento adequado às complicações, sobretudo durante a infância.
Para a directora-geral do Instituto Nacional de Sangue (INS), Deodeth Machado, o encontro deve contribuir para identificar soluções dos principais desafios que ainda se registam no domínio da hematologia e da imunohemoterapia, transformando os conhecimentos partilhados em melhores práticas clínicas, serviços mais seguros e cuidados de maior qualidade para os doentes.
Segundo a médica, o congresso tem como finalidade contribuir para uma melhor compreensão da realidade das doenças hematológicas nos diferentes países participantes e apoiar a definição de políticas e práticas clínicas capazes de melhorar continuamente a prestação de cuidados de saúde.
A presidente do Comité Executivo da Associação Lusófona de Especialistas em Doença Falciforme (LUA), Celeste Bento, referiu que o diagnóstico precoce, o tratamento e o acompanhamento dos pacientes com doença falciforme contribuem para a redução da mortalidade infantil e a melhoria da qualidade de vida dos doentes.
A especialista explicou que a doença falciforme é uma patologia genética e hereditária não contagiosa, transmitida de pais para filhos, alertando ainda que a falta de diagnóstico contribui para que muitas mortes associadas à doença não sejam devidamente identificadas nas estatísticas de saúde.
Associação Meia-Lua quer ampliar cooperação
A presidente da Associação Meia-Lua, Princesa Gomes, revelou, terça-feira, em Luanda, que a instituição pretende ampliar a cooperação com organizações dos países lusófonos e da África Austral, com o objectivo de fortalecer as acções de apoio às pessoas afectadas pela anemia falciforme.
Em declarações ao Jornal de Angola, no final de uma visita dos representantes das organizações do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Moçambique, bem como da África do Sul à sede da Associação Meia-Lua, a responsável frisou que a cooperação poderá abrir novas oportunidades para a realização de projectos conjuntos, acções de formação, campanhas de sensibilização e iniciativas de apoio às famílias.
Receber essas delegações, continuou, representa mais do que uma simples visita, significa abrir a Associação Meia-Lua para uma rede internacional de colaboração e dar maior visibilidade ao combate à anemia falciforme.
A responsável realçou, igualmente, a possibilidade de os contactos estabelecidos durante o encontro evoluírem para parcerias permanentes entre as organizações participantes. “Esperamos que a conferência não termine apenas num encontro ou numa troca de experiências, mas que se traduza em compromissos e acções concretas que melhorem a vida das pessoas com anemia falciforme em Angola”, sublinhou a presidente da organização.
Neuza Sacuxipo e Dumilde Manuel




