Corrupção e falta de manutenção aceleram degradação de estradas – Analistas

Alguns analistas ouvidos pelo Correio da Kianda apontam o “primado do político” e a corrupção como causas da degradação das estradas em Angola. Os mesmos defendem, por outro lado, a contratação de empresas sustentáveis e seguros de garantia de 10 anos para as vias.
Segundo explicou neste sábado, Alexandre Sebastião André, a degradação prematura das estradas em Angola tem origem política, e não técnica. Avançou que o “primado do político sobre o jurídico e sobre a engenharia” está na base do problema.
Para o analista, o exemplo é a Centralidade do Kilamba.
“O Kilamba não é aquilo que estava idealizado. Era uma cidade moderna, mas não fizemos uma estrada moderna por razões políticas, para não dizer directamente por causa da corrupção em Angola”, afirmou.
Alexandre André explica que a corrupção não está no construtor, mas no decisor político. “O homem que constrói a estrada apresenta preços adequados. É o político que chega e diz: 10% para mim ou 30% para mim.
E o cientista político Eurico Gonçalves disse que a solução passa por obras sustentáveis e fiscalização.
“A solução é terminar estas obras não o mais rapidamente possível, mas sim da forma mais sustentável possível. É preciso contratar empresas com capacidade estrutural e combater a corrupção nas comissões de 20% e 30%”, defendeu.
Por sua vez, o especialista Almeida Pinto comparou a estratégia das obras a uma “inequação sem solução”.
“O produto que nos foi prometido está na pauta das promessas. Na prática, não está certo. O solo de Cacuaco, Catete e Maria Teresa é instável. O asfalto é colocado hoje e amanhã cede. Os engenheiros têm de convencer o poder político sobre o material a aplicar”, alertou.
Já o jurista David Mendes propõe seguros de garantia, como acontece em países da América Latina.
“Estradas recentemente reparadas já estão a degradar-se devido à péssima qualidade do material. Lá fora, a empresa faz um seguro de garantia de 10 anos. Se a estrada não durar, outra empresa faz a correção com garantia do seguro. O seguro não aceita cobrir uma obra que não vai durar”, explicou.


