Crescimento populacional em Luanda desafia governação, dizem analistas

A taxa de crescimento populacional anual da província de Luanda, estimada em 3,8%, constitui um factor de constrangimento à execução de políticas públicas e à capacidade de resposta do Estado às crescentes demandas sociais.
De acordo com os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística de Angola referentes ao Censo 2024, a província conta actualmente com 8.665.510 habitantes, mantendo-se como o principal centro populacional do país, concentrando cerca de um quarto da população nacional.
Reagindo sobre o assunto, o sociólogo Agostinho Paulo afirmou, esta quarta-feira, que o aumento demográfico — estimado em aproximadamente 250 mil novos habitantes por ano — representa um desafio estrutural à governação local.
Segundo o especialista, o crescimento acelerado está directamente associado ao agravamento de problemas sociais, como défices no acesso à educação, níveis elevados de desemprego e o aumento da criminalidade.
“Os problemas que surgem, fruto da densidade populacional, são alarmantes. Como exemplo citamos o desemprego, o desequilíbrio social, desequilíbrio do ponto de vista da educação e desequilíbrio na segurança médica e medicamentosa”, disse.
Por sua vez, na análise económica, Pedro Cajama considera que os indicadores demográficos de Luanda também podem representar uma vantagem estratégica, na medida em que revelam a existência de um mercado consumidor amplo e de mão-de-obra abundante, factores que podem atrair investimento estrangeiro. Contudo, sublinha a necessidade urgente de qualificação profissional para que esse potencial se traduza em crescimento sustentável.
“Existe sim um grande desafio, principalmente no que tange a qualificação da mão-de-obra. É preciso investir na formação técnica”, considerou.
O economista acrescenta que, face ao elevado ritmo de crescimento populacional, o Executivo angolano deve dar continuidade às reformas económicas em curso, com foco na redução das desigualdades sociais e no reforço do financiamento aos sectores da educação e da saúde.
“Nós temos uma política nacional, mas podemos ter também políticas regionais que incentivem o crescimento de cada província, de modos a que mais empresas sejam criadas para empregar estes jovens, com o fim de diminuir as desigualdades sociais que verificamos hoje. Para isso, a banca e outros investidores devem investir”, concluiu.
A província de Luanda, com 8.665.510 habitantes, continua a ser o principal centro populacional do país, com cerca de um quarto da população.


