Crianças no ensino noturno dizem enfrentar insegurança e dificuldades de aprendizagem em Luanda

Estudantes de várias escolas noturnas da província de Luanda denunciam um cenário marcado por insegurança, dificuldades de transporte e comportamentos considerados impróprios dentro do ambiente académico.
As reclamações aumentam à medida que cresce o número de alunos obrigados a enfrentar longas horas de espera nas paragens de táxi depois das aulas.
Segundo relatos recolhidos nas escolas pela Rádio Correio da Kianda, a falta de táxis durante o período noturno tem deixado dezenas de estudantes expostos ao perigo. Muitos afirmam que, após as 21 horas, conseguir transporte torna-se uma verdadeira luta, situação que acaba por facilitar a ação de assaltantes nas principais paragens da capital.
“Costumamos a enfrentar várias delinquências, o risco de caminhar no período da noite, por vezes chego muito tarde e também os táxis a partir das 21h não circulam devidamente fazem linhas curtas”, contou uma estudante, visivelmente preocupada com a situação.
Os alunos afirmam ainda que os assaltos têm sido frequentes nas imediações das escolas, sobretudo em zonas com pouca iluminação e reduzida presença policial.
“As vezes quando os marginas vêm lutar, os polícias também vêm e as vezes disparam a gente fica perdida temos que correr e ver se a bala vai entrar em qual sítio”, relatou outra estudante.
Além dos problemas ligados à segurança e ao transporte, estudantes denunciam também alegados relacionamentos amorosos entre professores e alunas, a frequente ausência de alguns docentes nas salas de aula e constantes falhas no fornecimento de energia elétrica durante o período noturno. Segundo os entrevistados, estas situações têm prejudicado seriamente o processo de aprendizagem, gerando desconforto, desmotivação e levantando questionamentos sobre ética, profissionalismo e qualidade do ensino nas instituições escolares.
O psicólogo Fidelino Paiva recomenda que as autoridades do setor da Educação priorizem os estudantes menores de idade no ensino diurno, defendendo ainda a construção de mais escolas para reduzir a sobrelotação nas salas de aula. Segundo o especialista, o ensino noturno deveria ser reservado, principalmente, para adultos e trabalhadores.
O governo, por sua vez reconhece que os desafios da educação continua entre as prioridades do Estado.
“Reconhecemos que os desafios no sector da educação são muitos, mas no entanto vale dizer que a educação acenta num quadro legal sólido”, declarou a Ministra da Educação.
Enquanto isso, os menores queixam-se de insegurança, dificuldades de aprendizagem e a frequente ausência de alguns docentes nas salas de aulas.


