Ondjiva - Noventa e seis casos de dracunculose, conhecida como “Verme da Guiné”, foram registados, de Janeiro a Agosto do corrente ano, na província do Cunene, mais 26 em relação a igual período de 2025.
Ondjiva - Noventa e seis casos de dracunculose, conhecida como “Verme da Guiné”, foram registados, de Janeiro a Agosto do corrente ano, na província do Cunene, mais 26 em relação a igual período de 2025.
Trata-se de dois casos confirmados em humanos, no município do Humbe, e 94 infecções em animais, como cães e gatos, sendo 61 no Cuanhama e 33 em Namacunde.
Os dados foram apresentados esta quinta-feira à imprensa, durante o segundo encontro de coordenação com parceiros da Saúde, que visou traçar estratégias para interromper a transmissão da doença.
Ao apresentar a situação epidemiológica da dracunculose, o ponto focal das Doenças Tropicais Negligenciadas no Cunene, Joaquim Figueiredo, disse que as infecções, tanto em humanos como em animais, ocorreram em 21 aldeias dos três municípios.
Informou que, entre 2018, 2019, 2020 e 2026, a província notificou os primeiros cinco casos em humanos e 298 em animais, situação que requer o reforço da vigilância epidemiológica ao nível das referidas aldeias.
Joaquim Figueiredo disse que as autoridades sanitárias e os parceiros continuam a reforçar as acções de sensibilização das comunidades sobre a importância do consumo de água tratada, visto que a doença é transmitida através do consumo de água contaminada.
Já o oficial nacional de Doenças Transmissíveis da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nzuzi Katondi, defendeu a necessidade de o Governo reforçar a distribuição de água potável para interromper a transmissão da doença nas regiões endémicas.
Informou que o encontro permitiu realizar uma avaliação conjunta com os parceiros do Governo sobre as acções de combate à doença, no sentido de facilitar a compreensão da situação epidemiológica e promover uma abordagem de “Uma Só Saúde”.
Nzuzi Katondi sublinhou que o processo de transferência da coordenação operacional e a implementação dos principais projectos visam fortalecer a vigilância epidemiológica e outras intervenções específicas para a erradicação do “Verme da Guiné”.
Por seu turno, o chefe do Departamento de Saúde Pública do Cunene, Belarmino Satyohamba, incentivou o envolvimento das comunidades na denúncia de casos suspeitos de dracunculose, visando contribuir para a sua erradicação.
Lembrou que Angola pretende alcançar a certificação como país livre da dracunculose até 2030.
Doença
A dracunculose é uma parasitose causada pela saída, através da pele, da fêmea adulta do Dracunculus medinensis, um verme filiforme que pode atingir entre 60 e 100 centímetros de comprimento.
A nível mundial, a doença existe actualmente apenas em seis países africanos, nomeadamente Angola, Camarões, Chade, Sudão do Sul, Mali e Etiópia.
É considerada uma doença tropical negligenciada, por ocorrer principalmente em zonas tropicais e afectar sobretudo pessoas de comunidades vulneráveis. Actualmente, não existe tratamento específico nem vacina para a sua prevenção.PEM/LHE/DP




