D. José Imbamba quer uma Igreja mais interventiva em todas as comunidades

A Igreja Católica deve continuar a ser uma parceira estratégica do Governo, fomentar as vocações sacerdotais e religiosas, e desempenhar um papel cada vez mais interventivo na sociedade para a moralização das famílias.
A afirmação foi feita ontem, em Luanda, pelo arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom José Manuel Imbamba. Em entrevista ao Jornal de Angola a propósito da comemoração dos seus 15 anos de episcopado, o prelado sublinhou que a acção e a responsabilidade social da Igreja no país jamais devem esmorecer. Dom José Manuel Imbamba recordou que a 29 de Junho de 2011, aos 46 anos de idade, recebeu em Roma, pelas mãos do Papa Bento XVI, o pálio — insígnia litúrgica de arcebispo metropolitano de Saurimo. “O facto de eu ter sido o arcebispo mais novo do mundo, naquela altura, não representou grande coisa. É apenas um dado estatístico que fica para a história. Isso assustou-me, mas não influenciou a missão que eu devia cumprir enquanto pastor de Saurimo”, afirmou. “Em Angola, temos as cinco arquidioceses que representam o dinamismo pastoral que deve continuar a avançar e a exercer o seu papel dentro da nossa sociedade”, ressaltou. A Igreja Católica, sublinhou, pela responsabilidade que carrega junto das comunidades, tem o dever de renovar o compromisso de trabalhar na moralização das famílias, sobretudo dos jovens. O objectivo é ajudar o Governo a mitigar os problemas sociais enfrentados por muitos angolanos. Dinâmica Para o presidente da CEAST, além da vertente teológica — voltada essencialmente para a transmissão do Evangelho —, a Igreja precisa de ser mais dinâmica, parceira do Estado e manter uma intervenção social significativa nas comunidades. A presença nos domínios da saúde, educação, cultura e protecção social deve ganhar uma visibilidade ainda maior, defendeu o arcebispo de Saurimo. “A Igreja Católica tem uma presença visível em Angola no que diz respeito à intervenção social. Posso afirmar, sem exagero, que é a instituição parceira do Governo com maior impacto social, sobretudo nos domínios da saúde, educação e no acolhimento de crianças de rua, idosos e outras pessoas vulneráveis. Contudo, temos a noção de que precisamos de fazer mais”, admitiu. Na área da educação, indicou que o mapa estatístico inicial do ano lectivo 2025/2026, elaborado pela Comissão Nacional das Escolas Católicas da CEAST, regista o controlo de 442 estabelecimentos de diferentes níveis de ensino nas arquidioceses e dioceses do país. Estas instituições contam com um total de 351.689 alunos, sendo que a meta da Igreja é expandir estes indicadores para formar um número ainda maior de jovens. Simbolismo do 29 de JunhoO simbolismo do 29 de Junho no catolicismo romano, explicou D. José Manuel Imbamba, reside no facto de ser o dia da celebração da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, considerados os grandes pilares da Igreja. Os dois apóstolos, descritos como “colunas fortes” da Igreja, conseguiram atravessar terras e culturas para anunciar a boa-nova da salvação, tendo sido ambos martirizados em Roma. Essas figuras religiosas representam um pilar significativo dentro da Igreja e devem servir de modelo para todo o clero, aconselhou o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST). “Ao longo dos anos, no dia 29 de Junho, os arcebispos nomeados pelo Papa são convocados a Roma para receberem o pálio, insígnia que simboliza a missão de guiar os fiéis até Cristo. É uma grande responsabilidade e um peso enorme que assumi. Em 2011, aos 46 anos, tornei-me o arcebispo mais jovem do mundo. Foi um momento marcante na minha vida: ser tão jovem e carregar tamanha responsabilidade. Vivo este percurso com graça e gratidão, com o compromisso de continuarmos a ser bons intérpretes da realidade, fazendo leituras sociais e culturais que correspondam às expectativas dos nossos fiéis”, destacou. Actualmente, o arcebispo mais jovem do mundo em actividade na Igreja Católica é D. Younan Hano (nascido a 30 de Maio de 1982). O prelado é arcebispo de Mossul dos Sírios, no Iraque, nomeado ao cargo com apenas 40 anos de idade, a 7 de Janeiro de 2023.


