O impacto das desigualdades sociais e territoriais na vida das raparigas continua a reflectir-se nos índices de gravidez na adolescência em Angola, com diferenças acentuadas entre as províncias, segundo dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2023-2024.
O Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência, apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostra que o Cuanza Sul, Cuando-Cubango e Cuanza Norte registam as prevalências mais elevadas de gravidez entre raparigas dos 15 aos 19 anos, com 51,4%, 44% e 41,3%, respectivamente.
Os dados mostram que, apesar da redução da gravidez na adolescência a nível nacional, persistem diferenças importantes entre as regiões, sobretudo nas zonas onde as raparigas enfrentam maiores dificuldades de acesso à educação, aos serviços de saúde e a outras oportunidades sociais.
O secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, reconheceu a existência de desigualdades estruturais que afectam principalmente as mulheres e raparigas em regiões consideradas mais vulneráveis.
“No que diz respeito às políticas públicas para promoção da igualdade de género, saúde, inclusão social, protecção da juventude e desenvolvimento sustentável, o relatório evidencia que, apesar dos progressos alcançados, persistem desigualdades estruturais que impactam a vida das mulheres”, afirmou.
A representante das Nações Unidas, Denise António, considerou igualmente preocupantes os níveis de gravidez na adolescência e destacou a ligação entre diferentes factores sociais que afectam sobretudo as mulheres e raparigas em situação de pobreza.
Segundo a responsável, as desigualdades territoriais estão entre os principais factores que ajudam a explicar as diferenças registadas entre as províncias.
Perante este cenário, o INE defende a adopção de estratégias que garantam a permanência das raparigas na escola, previnam o casamento precoce e aumentem o acesso dos adolescentes aos serviços de saúde sexual e reprodutiva.
O instituto recomenda ainda o enfrentamento de normas sociais que contribuem para a gravidez precoce, considerando que a redução do fenómeno passa por medidas que actuem não apenas sobre a saúde, mas também sobre as condições sociais e económicas em que vivem as raparigas.




