O líder da Igreja Tocoista em Angola, Dom Afonso Nunes, alertou que a água poderá estar na origem dos próximos conflitos no mundo, defendendo a necessidade de reforçar a governação dos recursos hídricos como forma de prevenir tensões e preservar a paz.
Em entrevista exclusiva à Rádio Correio da Kianda, à margem da quarta edição da Bienal de Luanda, que arrancou esta quinta-feira, em Luanda, o líder religioso reconheceu os esforços do Governo angolano no combate à seca no sul do país, com destaque para a construção de infra-estruturas destinadas a melhorar o acesso à água.
“Sabemos que, nos próximos tempos, teremos conflitos não mais por causa do petróleo ou dos diamantes, mas sim da água”, afirmou Dom Afonso Nunes, que felicitou a organização da Bienal pela escolha do tema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.
O responsável religioso considerou que a água é um recurso essencial à vida e destacou a importância dos projectos desenvolvidos em Angola para reduzir os efeitos da seca, sobretudo na província do Cunene, uma das regiões mais afectadas pela escassez de água.
Segundo Dom Afonso Nunes, existem infra-estruturas hídricas construídas no sul do país cujos benefícios ainda são pouco conhecidos por parte da população, apesar do contributo que podem dar para melhorar as condições de vida das comunidades.
O líder da Igreja Tocoista sublinhou, por isso, a importância de iniciativas que promovam a gestão sustentável da água e a cooperação entre os países africanos, considerando que o acesso a este recurso deve merecer atenção crescente das autoridades e das instituições.
A quarta edição da Bienal de Luanda reúne representantes de diferentes países e organizações para debater o papel da governação da água na prevenção, mediação e resolução de conflitos, num contexto em que a disponibilidade e a distribuição deste recurso assumem importância crescente para a segurança e o desenvolvimento das comunidades.




