Ébola: mais de dois mil casos confirmados e 754 mortes na RDCongo

Os casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo atingiram os 2011, incluindo 754 mortes, segundo dados do Governo, com as autoridades a considerarem ser a epidemia deste vírus com o crescimento mais rápido de que há registo.
Um dos principais desafios é que as autoridades de saúde ainda não identificaram o "paciente zero" da epidemia, enquanto as deslocações decorrentes de conflitos armados, bem como os movimentos relacionados com a exploração mineira, têm dificultado o rastreio de milhares de pessoas que entraram em contacto com infectados.
Muitas das mortes recentemente registadas são de pessoas que nunca chegaram a um centro de saúde e que nunca receberam cuidados, afirmou na Terça-feira o Chikwe Ihekweazu, responsável pelas emergências sanitárias da OMS, após regressar de Bunia, em Ituri, a província mais afectada.
Os profissionais de saúde também estão em greve em diferentes partes de Ituri. Afirmam que não receberam qualquer pagamento desde que começaram a trabalhar no início da epidemia.
Os esforços de resposta têm também sido dificultados pela falta de vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo.
Em apenas dois meses, o surto de Ébola - que entretanto evoluiu para epidemia - é o 17.º a afectar a RDCongo, tornou-se o terceiro maior e o de crescimento mais rápido de todos os registados até à data.
Oficialmente declarada em Maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.
A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30 e os 50 por cento e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a OMS, que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África subsaariana e “baixo” à escala global.
A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de Maio, como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.
O vírus transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.



